Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023
M.S.B., 32 anos, GII P0 AI, deu entrada no PSO com sangramento vaginal em pequena quantidade e leve dor tipo cólica. Refere preocupação, pois já teve um aborto anterior. Beta HCG quantitativo de 450 mUI/mL. IG cronológica: 5 semanas. Refere ciclos menstruais regulares, antes da gestação. Ao exame físico: corada, eucárdica. Especular: colo uterino sem lesões. Pequena quantidade de sangue em fórnice posterior. Toque vaginal bimanual: colo impérvio, fundo uterino intrapélvico, colo indolor à mobilização. Anexos não palpáveis. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável para o caso. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável para o caso.
Sangramento leve + Colo fechado + Útero compatível com IG = Ameaça de Aborto.
A ameaça de aborto é a causa mais comum de sangramento no 1º trimestre, definida por sangramento vaginal com orifício interno do colo uterino fechado.
O sangramento vaginal no primeiro trimestre é uma queixa frequente nas emergências obstétricas, ocorrendo em cerca de 20% das gestações. A ameaça de aborto é o diagnóstico mais provável quando há sangramento de pequena intensidade, dor abdominal tipo cólica leve e, fundamentalmente, o orifício interno do colo uterino permanece fechado ao toque vaginal. O exame especular é obrigatório para confirmar que o sangramento provém do canal cervical e descartar causas locais, como pólipos ou lacerações. O prognóstico na ameaça de aborto é geralmente favorável, com a maioria das gestações evoluindo para o termo, embora esses casos demandem vigilância para riscos discretamente aumentados de complicações placentárias tardias. O diagnóstico diferencial inclui gestação ectópica e doença trofoblástica gestacional, que devem ser excluídas por ultrassonografia.
A principal diferença reside no exame do colo uterino. Na ameaça de aborto, o colo permanece impérvio (fechado) ao toque vaginal. No aborto inevitável, o colo está dilatado (aberto), indicando que o processo de expulsão é iminente e não pode ser interrompido, geralmente acompanhado de sangramento mais intenso, cólicas fortes e, por vezes, rotura de membranas.
O Beta-HCG quantitativo confirma a gestação e, quando correlacionado com a ultrassonografia transvaginal, permite avaliar a evolução gestacional. Valores que dobram a cada 48h sugerem gestação viável. Na ameaça de aborto, o valor costuma ser compatível com a idade gestacional, enquanto valores em queda ou muito baixos sugerem gestação não evolutiva ou ectópica.
A conduta é predominantemente expectante. Recomenda-se repouso relativo, abstinência sexual e uso de analgésicos ou antiespasmódicos se houver cólica. Embora o uso de progesterona natural micronizada seja comum na prática clínica para suporte lúteo, sua evidência de benefício é maior em pacientes com histórico de abortamento de repetição.
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