Ameaça de Aborto: Diagnóstico e Conduta Essencial

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

M.S.B., 32 anos, GII P0 AI, deu entrada no PSO com sangramento vaginal em pequena quantidade e leve dor tipo cólica. Refere preocupação, pois já teve um aborto anterior. Beta HCG quantitativo de 450 mUI/mL. IG cronológica: 5 semanas. Refere ciclos menstruais regulares, antes da gestação. Ao exame físico: corada, eucárdica. Especular: colo uterino sem lesões. Pequena quantidade de sangue em fórnice posterior. Toque vaginal bimanual: colo impérvio, fundo uterino intrapélvico. Anexos não palpáveis. Assinale a alternativa que apresenta os exames complementares importantes para a confirmação diagnóstica e conduta para o caso.

Alternativas

  1. A) Ultrassom transvaginal e hemograma.
  2. B) Ultrassom transvaginal e tipagem sanguínea.
  3. C) RNM de pelve e tipagem sanguínea.
  4. D) Tomografia computadorizada de pelve e tipagem sanguínea.
  5. E) RNM de pelve e hemograma.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal precoce + colo impérvio → USG transvaginal + tipagem sanguínea (Rh) para conduta.

Resumo-Chave

Em gestantes com sangramento vaginal e dor tipo cólica no primeiro trimestre, com colo uterino impérvio, a principal hipótese é ameaça de aborto. A ultrassonografia transvaginal é essencial para confirmar a localização e viabilidade da gestação, enquanto a tipagem sanguínea (com fator Rh) é crucial para avaliar a necessidade de imunoglobulina anti-Rh em gestantes Rh negativas, prevenindo a aloimunização.

Contexto Educacional

A ameaça de aborto é uma complicação comum na gravidez precoce, caracterizada por sangramento vaginal e/ou dor tipo cólica, com o colo uterino fechado e sem perda de tecido. É uma das principais causas de procura por atendimento de emergência em obstetrícia. A distinção entre ameaça de aborto, aborto inevitável, aborto incompleto, aborto retido e gravidez ectópica é crucial para o manejo adequado e para a segurança da paciente. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico (especular e toque vaginal para avaliar o colo e o útero) e exames complementares. O Beta HCG quantitativo é importante para confirmar a gravidez e acompanhar sua evolução, embora um valor isolado não seja diagnóstico definitivo. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de escolha na gravidez precoce, permitindo visualizar o saco gestacional, a vesícula vitelínica e o embrião, além de avaliar a presença de batimentos cardíacos fetais e descartar gravidez ectópica. A tipagem sanguínea e o fator Rh são mandatórios para todas as gestantes com sangramento, a fim de identificar aquelas Rh negativas que necessitarão de imunoglobulina anti-Rh para prevenir a aloimunização. O manejo da ameaça de aborto geralmente envolve repouso relativo, abstinência sexual e acompanhamento rigoroso. Não há evidências de que o repouso absoluto ou o uso de progesterona previnam o aborto. O prognóstico é variável; muitas gestações com ameaça de aborto evoluem normalmente, enquanto outras progridem para aborto espontâneo. A educação da paciente sobre os sinais de alerta e a importância do acompanhamento é fundamental.

Perguntas Frequentes

Qual é o papel do ultrassom transvaginal na avaliação da ameaça de aborto?

O ultrassom transvaginal é fundamental para confirmar a presença de uma gestação intrauterina, avaliar a viabilidade fetal (presença de saco gestacional, vesícula vitelínica, embrião e batimentos cardíacos) e descartar uma gravidez ectópica. Ele fornece informações cruciais para o diagnóstico e prognóstico da ameaça de aborto.

Por que a tipagem sanguínea e o fator Rh são importantes em casos de sangramento vaginal na gravidez?

A tipagem sanguínea e o fator Rh são vitais para identificar gestantes Rh negativas. Em caso de sangramento vaginal, há risco de passagem de sangue fetal Rh positivo para a circulação materna, levando à aloimunização. A administração de imunoglobulina anti-Rh (Rhogam) previne essa aloimunização, protegendo futuras gestações.

Qual o significado do nível de Beta HCG de 450 mUI/mL em uma gestação de 5 semanas com sangramento?

Um Beta HCG de 450 mUI/mL em 5 semanas de gestação é um valor baixo e está abaixo da zona discriminatória para visualização confiável de um saco gestacional intrauterino via ultrassom transvaginal (geralmente > 1500-2000 mUI/mL). Isso sugere que a gestação é muito inicial para ser visualizada ou pode indicar uma gestação não viável ou ectópica. Acompanhamento com HCG seriado e ultrassom é essencial.

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