SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 38 anos de idade, tercigesta com duas cesáreas anteriores, com seis semanas de gestação, procurou o pronto-socorro com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade, de início há um dia, com cólicas leves. Ainda não iniciou o pré-natal. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Devesse orientar abstinência sexual, repouso e uso de analgésicos.
Ameaça de abortamento → Repouso e abstinência NÃO alteram o desfecho gestacional.
Na ameaça de abortamento (colo fechado e BCF presente), o repouso absoluto não possui evidência científica de benefício e pode aumentar o risco de eventos tromboembólicos.
A ameaça de abortamento é definida pela presença de sangramento vaginal com colo uterino fechado e comprovação de vitalidade fetal em gestações de até 20-22 semanas. É uma das intercorrências mais comuns do primeiro trimestre, ocorrendo em cerca de 20% das gestações. A fisiopatologia muitas vezes envolve pequenos descolamentos trofoblásticos ou causas idiopáticas. A prática de recomendar repouso e abstinência sexual é histórica e cultural, mas carece de suporte em ensaios clínicos randomizados. O foco do atendimento deve ser o diagnóstico diferencial (excluindo gestação ectópica e doença trofoblástica gestacional) e o suporte emocional à gestante, explicando que a evolução da gravidez depende mais de fatores genéticos e biológicos do que de restrição física.
Não existem evidências científicas robustas que comprovem que o repouso, seja ele relativo ou absoluto, diminua a taxa de abortamento em mulheres com sangramento vaginal na primeira metade da gestação. Pelo contrário, o repouso prolongado no leito está associado a riscos aumentados de tromboembolismo venoso, perda de massa muscular e estresse psicológico. A orientação atual é manter atividades habituais conforme a tolerância da paciente.
A conduta na ameaça de abortamento é predominantemente expectante. Deve-se realizar o exame físico (especular e toque vaginal) para confirmar que o colo uterino está fechado e solicitar ultrassonografia transvaginal para confirmar a vitalidade embrionária/fetal. Analgésicos podem ser prescritos para alívio das cólicas. O uso de progesterona é controverso, mas pode ser considerado em casos específicos de perda recorrente.
A paciente deve ser orientada a retornar ao pronto-socorro se houver aumento significativo do volume de sangramento (maior que uma menstruação normal), dor abdominal intensa que não melhora com analgésicos comuns, febre ou eliminação de restos ovulares. É fundamental tranquilizar a paciente de que a maioria das ameaças de abortamento evolui para gestações normais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo