Ameaça de Abortamento: Diagnóstico e Manejo no Primeiro Trimestre

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Você atende uma primigesta com queixa de sangramento e dor tipo cólica em baixo ventre. A paciente tem 20 anos e está com idade gestacional de 9 semanas. Os exames de pré-natal estão normais. Ao exame físico você identifica que a paciente não apresenta alterações hemodinâmicas, observa a presença de sangramento ativo de moderada quantidade no orifício cervical externo do colo uterino e no toque o colo encontra-se impérvio. Você solicita ultrassonogrtafia, que apresenta saco gestacional, batimentos cardíacos fetais presentes e descolamento da placenta em 30% do diâmetro do saco gestacional. Qual o diagnóstico e conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Abortamento inevitável. Repouso e Progesterona.
  2. B) Ameaça de abortamento. Curetagem uterina.
  3. C) Abortamento inevitável. Conduta expectante.
  4. D) Ameaça de abortamento. Repouso e evitar relação sexual.
  5. E) Abortamento inevitável. Curetagem uterina.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal + dor + colo impérvio + BCF presentes = Ameaça de abortamento → Repouso e abstinência sexual.

Resumo-Chave

Ameaça de abortamento é caracterizada por sangramento vaginal e/ou dor abdominal no primeiro trimestre, com colo uterino fechado e vitalidade fetal presente. A conduta clássica inclui repouso relativo e abstinência sexual, visando reduzir a irritação uterina e o risco de progressão para abortamento.

Contexto Educacional

A ameaça de abortamento é uma das intercorrências mais frequentes no primeiro trimestre da gestação, caracterizada por sangramento vaginal e/ou dor abdominal tipo cólica. É crucial diferenciar essa condição de outros tipos de abortamento, como o inevitável, em curso ou incompleto, que exigem condutas distintas. O diagnóstico diferencial baseia-se principalmente no exame físico do colo uterino e na ultrassonografia obstétrica. No caso de ameaça de abortamento, o colo uterino encontra-se fechado (impérvio) e a ultrassonografia confirma a presença de um embrião ou feto com batimentos cardíacos fetais presentes, indicando vitalidade. A presença de um descolamento corioamniótico (hematoma subcoriônico) é um achado comum que pode explicar o sangramento. A conduta clássica para a ameaça de abortamento inclui repouso relativo e abstinência sexual, visando diminuir a irritabilidade uterina e o risco de progressão do quadro. É importante ressaltar que, embora o repouso seja amplamente recomendado, a evidência científica sobre sua eficácia em prevenir o abortamento é limitada. No entanto, é uma medida que oferece conforto psicológico à paciente. O uso de progesterona vaginal pode ser considerado em situações específicas, mas não é uma conduta universalmente indicada. O acompanhamento ultrassonográfico é fundamental para monitorar a evolução da gestação e a resolução do descolamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para ameaça de abortamento?

A ameaça de abortamento é diagnosticada pela presença de sangramento vaginal e/ou dor abdominal tipo cólica no primeiro trimestre da gravidez, com o colo uterino fechado (impérvio) e evidência de vitalidade fetal (batimentos cardíacos fetais presentes) na ultrassonografia.

Qual a importância do descolamento de placenta (hematoma subcoriônico) na ameaça de abortamento?

O descolamento de placenta, ou hematoma subcoriônico, é uma causa comum de sangramento na ameaça de abortamento. Sua presença indica um risco aumentado de abortamento, mas muitos casos se resolvem espontaneamente com a conduta conservadora.

Além do repouso e abstinência sexual, quais outras condutas podem ser consideradas na ameaça de abortamento?

Embora repouso e abstinência sexual sejam as condutas mais tradicionais, o uso de progesterona vaginal pode ser considerado em alguns casos, especialmente em pacientes com histórico de abortamento de repetição ou deficiência de progesterona, embora sua eficácia seja ainda debatida em todos os cenários.

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