Ameaça de Abortamento: Diagnóstico e Conduta no 1º Trimestre

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante de dez semanas procura emergência obstétrica com queixa de sangramento e dor em baixo ventre. Ao exame especular, observa- se pequena quantidade de sangue oriundo do colo uterino, que encontra-se fechado. Ao toque bimanual, o tamanho do útero é compatível com a idade gestacional. Ultrassonografia revela gestação tópica, batimentos embrionários regulares, com área de descolamento placentário de aproximadamente 10%. A conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) internação hospitalar e monitoramento ultrassonográfico.
  2. B) repouso no domicílio e analgésicos.
  3. C) internação hospitalar e progesterona vaginal.
  4. D) internação hospitalar e analgesia venosa.
  5. E) repouso no domicílio e progesterona vaginal.

Pérola Clínica

Sangramento 1º tri, colo fechado, útero compatível, BCF presentes, descolamento < 50% → Ameaça de abortamento, conduta: repouso e analgésicos.

Resumo-Chave

O quadro de sangramento vaginal e dor em baixo ventre no primeiro trimestre, com colo uterino fechado, útero compatível com IG e batimentos cardíacos fetais presentes, mesmo com pequeno descolamento placentário, configura uma ameaça de abortamento. A conduta inicial é repouso e analgésicos, sem necessidade de internação ou progesterona rotineira.

Contexto Educacional

A ameaça de abortamento é uma das intercorrências mais comuns no primeiro trimestre da gestação, caracterizada por sangramento vaginal, que pode ou não ser acompanhado de dor em baixo ventre, com o colo uterino fechado e a gestação ainda viável. A ultrassonografia é fundamental para confirmar a gestação tópica, a presença de batimentos cardíacos embrionários e avaliar a presença e o tamanho de descolamentos ovulares. A fisiopatologia envolve frequentemente um pequeno descolamento corioamniótico ou sangramento de origem desconhecida. É crucial diferenciar a ameaça de abortamento de outras causas de sangramento no primeiro trimestre, como abortamento inevitável, abortamento incompleto, gestação ectópica ou doença trofoblástica gestacional. A presença de batimentos cardíacos embrionários é um fator prognóstico positivo. A conduta na ameaça de abortamento, especialmente em casos com pequeno descolamento e vitalidade fetal preservada, é classicamente o repouso relativo no domicílio e o uso de analgésicos para alívio da dor. A internação hospitalar é reservada para sangramentos intensos, instabilidade hemodinâmica ou outras complicações. O uso de progesterona vaginal é controverso e não é recomendado de forma rotineira para todos os casos, sendo considerado em situações específicas com base em evidências limitadas. Residentes devem dominar essa conduta para evitar intervenções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma ameaça de abortamento?

Os sinais incluem sangramento vaginal de intensidade variável, geralmente indolor ou com dor leve em baixo ventre. Ao exame, o colo uterino está fechado, e a ultrassonografia mostra gestação tópica com vitalidade embrionária presente.

Qual a conduta inicial para uma gestante com ameaça de abortamento e pequeno descolamento?

A conduta inicial é repouso relativo no domicílio e uso de analgésicos para controle da dor, se presente. A internação hospitalar e o uso rotineiro de progesterona vaginal não são indicados para todos os casos, especialmente com descolamentos pequenos e vitalidade fetal.

Quando a progesterona vaginal é indicada na ameaça de abortamento?

A progesterona vaginal pode ser considerada em casos específicos de ameaça de abortamento, especialmente em pacientes com histórico de abortamento de repetição ou insuficiência de corpo lúteo, mas não é uma conduta universal para todos os casos de sangramento no primeiro trimestre.

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