Abortamento e Sangramento: Diferenciais no 1º Trimestre

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Na assistência a uma gestante com quadro de perda da gestação no primeiro trimestre, é importante se caracterizar, de forma clara, qual é o tipo de abortamento que se está referindo.Assim, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) é abortamento precoce quando a gestação terminar até 8 semanas; tardio, de 8 a 16 semanas; e fetal, até 22 semanas.
  2. B) na presença de doenças de comprometimento sistêmico, como exemplo a insuficiência renal, o abortamento pode ser considerado provocado, pela gravidade da doença.
  3. C) esse será evitável quando o colo do útero se apresentar impérvio, e isso independe dos sintomas.
  4. D) pequenos sangramentos podem qualificar uma ameaça de abortamento, porém o médico deve estar atento à possibilidade de se tratar de uma gravidez ectópica.

Pérola Clínica

Pequeno sangramento gestacional → ameaça abortamento OU gravidez ectópica; sempre diferenciar.

Resumo-Chave

Sangramentos no primeiro trimestre são comuns e podem indicar desde uma ameaça de abortamento (com colo fechado) até condições mais graves como a gravidez ectópica, que exige alta suspeição e investigação para evitar complicações maternas.

Contexto Educacional

O abortamento espontâneo é a perda da gestação antes de 20-22 semanas ou com feto pesando menos de 500g, afetando cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas. A correta classificação do tipo de abortamento é crucial para o manejo adequado e para diferenciar condições benignas de emergências obstétricas, sendo um tema recorrente em provas de residência. A fisiopatologia do abortamento é multifatorial, envolvendo anomalias cromossômicas, fatores anatômicos, endócrinos e imunológicos. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico (avaliação do colo uterino) e exames complementares como ultrassonografia e dosagem de beta-hCG. Pequenos sangramentos no primeiro trimestre podem ser uma ameaça de abortamento (colo fechado), mas a gravidez ectópica deve ser sempre um diagnóstico diferencial, especialmente se houver dor abdominal unilateral ou instabilidade hemodinâmica. O tratamento varia conforme o tipo de abortamento. Na ameaça, repouso relativo e acompanhamento. No abortamento inevitável ou incompleto, pode-se optar por conduta expectante, medicamentosa (misoprostol) ou cirúrgica (curetagem ou aspiração manual intrauterina - AMIU). A identificação precoce de uma gravidez ectópica é vital para evitar ruptura tubária e hemorragia grave, que podem ser fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ameaça de abortamento?

A ameaça de abortamento é caracterizada por sangramento vaginal de pequena intensidade, geralmente indolor ou com cólicas leves, e colo uterino fechado, sem dilatação. O feto ainda está viável.

Como diferenciar ameaça de abortamento de gravidez ectópica?

A diferenciação é feita pela ultrassonografia transvaginal, que confirma a localização da gestação (intra ou extrauterina), e pela dosagem seriada de beta-hCG. A gravidez ectópica pode apresentar dor abdominal unilateral e sangramento irregular.

Qual a importância do colo uterino no diagnóstico do abortamento?

O estado do colo uterino é fundamental para classificar o tipo de abortamento. Um colo fechado sugere ameaça de abortamento, enquanto um colo aberto com produtos da concepção visíveis indica abortamento inevitável ou em curso.

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