INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma mulher com 39 anos de idade, primigesta, com história de atraso menstrual de dois meses, deu entrada no Serviço de Urgência com queixa de sangramento vaginal há um dia e cólica em baixo ventre. Ao exame especular observa-se pequena quantidade de sangue em fundo de saco vaginal. Ao toque vaginal nota-se útero aumentado de volume, amolecido, indolor, com colo uterino fechado. A ultrassonografia é compatível com gestação tópica de nove semanas e pequeno hematoma subcoriônico. A conduta indicada para essa paciente é:
Sangramento + Colo fechado + Embrião vivo = Ameaça de abortamento → Repouso relativo domiciliar.
A ameaça de abortamento com hematoma subcoriônico pequeno e vitalidade fetal preservada deve ser manejada de forma expectante, sem necessidade de internação ou intervenções invasivas.
O sangramento vaginal no primeiro trimestre é uma queixa frequente nas emergências obstétricas. A ultrassonografia transvaginal é essencial para confirmar a localização tópica da gestação, a vitalidade embrionária e descartar diagnósticos diferenciais como gestação ectópica ou doença trofoblástica gestacional. O hematoma subcoriônico é um achado ultrassonográfico comum que representa o acúmulo de sangue entre o córion e a parede uterina. Quando o volume é pequeno e não há dilatação cervical, a conduta é conservadora. O repouso relativo (evitar esforços físicos intensos e relações sexuais) é a recomendação padrão, visando a estabilização do quadro e o acompanhamento ambulatorial do pré-natal de risco habitual.
Clinicamente, define-se pela presença de sangramento vaginal de origem uterina, geralmente acompanhado de cólicas leves, em uma gestação viável (feto vivo à ultrassonografia) e com o colo uterino fechado ao exame físico. É a causa mais comum de sangramento na primeira metade da gestação.
Na maioria das vezes, o prognóstico é favorável, especialmente se o hematoma for pequeno (menos de 1/3 a 1/2 do saco gestacional) e a frequência cardíaca fetal estiver normal. A maioria desses hematomas é reabsorvida espontaneamente ao longo do segundo trimestre sem causar danos ao desenvolvimento fetal.
O uso de progesterona é controverso. Embora amplamente utilizado na prática clínica para 'suporte' da fase lútea, grandes metanálises mostram benefício limitado em pacientes sem histórico de abortamento de repetição. Na prática, pode ser prescrito, mas o pilar do manejo é o repouso relativo e a observação.
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