Ameaça de Abortamento: Diagnóstico e Manejo no Primeiro Trimestre

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente procura pronto atendimento com atraso menstrual de 5 semanas e 5 dias referindo sangramento genital de volume pequeno e dor em hipogástrio tipo cólica de leve intensidade. A paciente encontra-se em bom estado geral, corada, estável hemodinamicamente, abdômen plano, normotenso, descompressão brusca negativa. Ao exame especular colo epitelizado, pequena quantidade de sangue coletado em fórnice posterior vaginal, sem sangramento ativo no momento. Ao toque vaginal, colo grosso, posterior, impérvio. Solicitada ultrassonografia que descreveu saco gestacional tópico, presença de embrião com CCN 2 mm; não foi identificado batimento cardíaco fetal; e presença de imagem compatível com descolamento ovular acometendo aproximadamente 30% do saco gestacional. Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Aborto em curso.
  2. B) Aborto retido.
  3. C) Aborto incompleto.
  4. D) Gestação molar embrionada.
  5. E) Ameaça de abortamento.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal + dor leve + colo impérvio + USG com embrião viável (ou sem BCF definido em idade gestacional precoce) + descolamento ovular = Ameaça de abortamento.

Resumo-Chave

A ameaça de abortamento é caracterizada por sangramento vaginal e/ou dor abdominal em gestação com menos de 20 semanas, mas com o colo uterino fechado e sinais de vitalidade fetal (ou potencial vitalidade, como um saco gestacional com embrião em fase inicial sem BCF ainda esperado). A presença de descolamento ovular é um fator de risco, mas não necessariamente indica aborto inevitável.

Contexto Educacional

A ameaça de abortamento é uma condição comum no primeiro trimestre da gravidez, caracterizada por sangramento vaginal e/ou dor abdominal tipo cólica, sem dilatação cervical e com o concepto ainda viável (ou com potencial de viabilidade). É crucial diferenciá-la de outras causas de sangramento e de outros tipos de abortamento, como o aborto em curso, incompleto ou retido. O diagnóstico diferencial é fundamental para a conduta adequada e para tranquilizar a paciente. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e ultrassonografia transvaginal. A presença de um colo uterino fechado ao toque vaginal é um achado chave que distingue a ameaça de abortamento de um aborto em curso. A ultrassonografia confirma a gestação tópica, a presença do saco gestacional e do embrião, e pode identificar o batimento cardíaco fetal (se a idade gestacional permitir, geralmente a partir de 6 semanas). A presença de descolamento ovular (hematoma subcoriônico) é um achado comum e, embora aumente o risco, não significa necessariamente a perda da gestação. O manejo da ameaça de abortamento é geralmente conservador, incluindo repouso relativo, abstinência sexual e observação. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de progesterona, embora possa ser considerada em casos selecionados. O acompanhamento ultrassonográfico é importante para monitorar a evolução do descolamento e a vitalidade fetal. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das gestações evoluindo para termo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para ameaça de abortamento?

Os critérios incluem sangramento vaginal e/ou dor abdominal em gestação com menos de 20 semanas, com o colo uterino fechado e ultrassonografia mostrando saco gestacional tópico com embrião/feto viável ou com potencial de viabilidade.

Qual a importância do descolamento ovular na ameaça de abortamento?

O descolamento ovular, ou hematoma subcoriônico, é a separação parcial do córion da decídua. Sua presença aumenta o risco de abortamento, mas não o torna inevitável. O tamanho do descolamento é um fator prognóstico.

Como diferenciar ameaça de abortamento de aborto em curso?

Na ameaça de abortamento, o colo uterino está fechado e a gestação pode ser mantida. No aborto em curso (ou inevitável), o colo está aberto, há dilatação e/ou rotura de membranas, e a expulsão do conteúdo uterino é iminente.

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