HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
D.B.V., primigesta, idade gestacional cronológica de 8 semanas, deu entrada no ProntoSocorro Ginecológico e Obstétrico (PSGO) com queixa de sangramento vaginal escuro, de início há 1 dia. Nega dor tipo cólica. No exame ginecológico: Especular: mínima quantidade de sangue escuro coletado em fundo de saco posterior, sem sangramento ativo. Toque vaginal: colo impérvio. Sem dor à mobilização. Fundo uterino intrapélvico. De acordo com as informações apresentadas, trata-se de:
Sangramento vaginal + colo fechado + útero compatível com IG = Ameaça de abortamento.
A ameaça de abortamento define-se por sangramento sem dilatação cervical, exigindo confirmação de vitalidade fetal por ultrassonografia.
O sangramento vaginal no primeiro trimestre é uma das causas mais comuns de procura ao pronto-socorro obstétrico. O diagnóstico de ameaça de abortamento é clínico, baseado na tríade: sangramento vaginal (geralmente discreto), ausência de dor abdominal intensa e, crucialmente, colo uterino fechado ao exame especular e toque vaginal. A fisiopatologia envolve frequentemente pequenos descolamentos trofoblásticos que não comprometem a vitalidade fetal imediata. O prognóstico é geralmente favorável, com a maioria das gestações evoluindo normalmente. Contudo, é essencial descartar diagnósticos diferenciais graves, como a gestação ectópica, através da correlação entre os níveis de beta-hCG e os achados ultrassonográficos.
A diferenciação é feita pelo exame físico (toque vaginal). Na ameaça de abortamento, o colo uterino permanece impérvio (fechado) e o sangramento costuma ser leve. No abortamento inevitável, o colo já apresenta dilatação (pérvio), geralmente acompanhado de cólicas intensas e sangramento mais volumoso, indicando que a expulsão ocorrerá em breve.
A conduta inicial é expectante. Recomenda-se repouso relativo, abstinência sexual e, fundamentalmente, a realização de uma ultrassonografia transvaginal para confirmar a vitalidade embrionária/fetal. O uso de progesterona é controverso, mas pode ser considerado em casos selecionados com insuficiência de corpo lúteo.
No abortamento incompleto, o colo uterino geralmente está pérvio, há relato de eliminação de tecidos ovulares, o útero apresenta-se menor que o esperado para a idade gestacional e o sangramento persiste. À ultrassonografia, observa-se a presença de restos ovulares e endométrio heterogêneo/espessado.
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