Ameaça de Aborto: Diagnóstico e Conduta no 1º Trimestre

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Primigesta de 25 anos procura o pronto atendimento de ginecologia e obstetrícia com história de atraso menstrual e resultado de beta-hCG quantitativo de 10.000 mlU/mL realizado há 2 dias. Não se recorda da data da última menstruação. Queixa-se de sangramento vaginal, em pequena quantidade, que já dura 3 dias. Ao exame especular, nota-se presença de sangramento vivo em pequena quantidade e, ao toque, percebe-se colo uterino fechado. Solicitado beta-hCG no dia da consulta, com resultado de 23.400 mlU/mL. A partir desses dados, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico desse caso e a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Gestação ectópica; laparotomia.
  2. B) Ameaça de aborto; repouso relativo.
  3. C) Aborto incompleto; curetagem uterina.
  4. D) Aborto em evolução; acompanhamento clínico

Pérola Clínica

Sangramento no 1º trimestre + colo fechado + beta-hCG com duplicação em 48h = Ameaça de abortamento → conduta expectante e repouso relativo.

Resumo-Chave

O diagnóstico de ameaça de abortamento é clínico, definido por sangramento vaginal antes de 20 semanas com colo uterino fechado. A viabilidade da gestação é confirmada por uma curva ascendente adequada do beta-hCG (que deve dobrar a cada 48-72h no início) e, idealmente, pela ultrassonografia. A conduta é expectante.

Contexto Educacional

O sangramento no primeiro trimestre da gestação é uma queixa comum, ocorrendo em cerca de 20-25% das gestações. A principal causa é a ameaça de abortamento, uma condição clínica que representa um risco aumentado de perda gestacional, embora mais da metade desses casos evolua para uma gestação a termo sem intercorrências. O diagnóstico diferencial do sangramento na primeira metade da gestação é amplo e inclui, além da ameaça de abortamento, o abortamento em curso, incompleto ou completo, gestação ectópica, mola hidatiforme e causas não obstétricas (cervicites, pólipos). A avaliação inicial deve incluir anamnese detalhada, exame físico completo com exame especular para avaliar a origem do sangramento e o status do colo uterino (aberto ou fechado), e toque vaginal. A investigação complementar é essencial. A dosagem seriada do beta-hCG quantitativo ajuda a avaliar a viabilidade da gestação, esperando-se uma duplicação dos seus valores a cada 48-72 horas. A ultrassonografia transvaginal é o padrão-ouro para confirmar a localização intrauterina da gestação, a presença de embrião com batimentos cardíacos e para descartar outras causas. A conduta na ameaça de aborto é expectante, com orientação e suporte à paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma ameaça de abortamento?

O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sangramento vaginal antes da 20ª semana gestacional, com o colo uterino fechado ao exame especular e toque vaginal, e sem a eliminação de produtos da concepção. A vitalidade embrionária deve ser confirmada por ultrassom ou beta-hCG seriado.

Qual a conduta adequada diante de uma ameaça de aborto?

A conduta é primariamente expectante. Recomenda-se repouso relativo (evitar atividades físicas intensas), abstinência sexual e acompanhamento clínico. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para confirmar a localização e a viabilidade da gestação.

Como diferenciar ameaça de aborto de uma gestação ectópica?

Na gestação ectópica, a dor abdominal (especialmente anexial) costuma ser mais intensa e a curva do beta-hCG sobe de forma inadequada (não dobra em 48-72h). O exame de imagem definitivo é a ultrassonografia transvaginal, que na ectópica pode mostrar útero vazio com beta-hCG acima do nível discriminatório ou uma massa anexial.

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