INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma primigesta com 15 anos de idade procura o pronto-socorro com queixas de sangramento vaginal e dor em baixo ventre há 12 horas. Relata ter descoberto a gravidez há 15 dias, com atraso menstrual de 10 semanas, e se diz bastante apreensiva com o fato de seus pais descobrirem que ela tem vida sexual ativa. Informa, ainda, ter procurado ajuda para interromper a gestação e tomado alguns comprimidos fornecidos por uma amiga. Ao exame, mostra-se em bom estado geral, afebril, hipocorada +/4+, com pressão arterial = 110 x 60 mmHg. Ao exame ginecológico, o médico constata presença de pequena quantidade de sangue coagulado em fundo de saco vaginal, sem saída ativa de sangue pelo orifício do colo uterino; colo amolecido, com orifício externo entreaberto e orifício interno fechado; útero aumentado de volume compatível com 10 a 12 semanas de gestação. Nesse caso, o diagnóstico correto é:
Sangramento + colo fechado + útero compatível com IG = Ameaça de abortamento.
Na ameaça de abortamento, o sangramento ocorre com o orifício interno do colo fechado e vitalidade embrionária preservada (ou útero compatível), sem expulsão de tecidos.
O abortamento é a complicação mais comum da gestação inicial, ocorrendo em cerca de 15-20% das gravidezes clinicamente reconhecidas. A ameaça de abortamento representa um estado onde a gestação ainda é viável, mas apresenta sinais de alerta. O diagnóstico é clínico, mas a ultrassonografia transvaginal é a ferramenta de escolha para confirmar a viabilidade fetal e excluir diagnósticos diferenciais como gestação ectópica ou doença trofoblástica gestacional. No caso apresentado, apesar da tentativa de interrupção provocada, os achados físicos (orifício interno fechado e útero compatível) ainda classificam o quadro como ameaça. É fundamental o acolhimento da paciente, especialmente em casos de vulnerabilidade social ou tentativas de aborto inseguro, monitorando sinais de infecção (aborto infectado) que exigiriam conduta imediata com esvaziamento e antibioticoterapia.
Os principais achados são sangramento vaginal de pequena a moderada intensidade e dor abdominal leve (tipo cólica). Ao exame especular, visualiza-se sangue vindo do canal cervical. Ao toque vaginal, o colo uterino encontra-se amolecido, porém com o orifício interno fechado, e o volume uterino é compatível com a idade gestacional.
No abortamento incompleto, o orifício interno do colo está aberto e há eliminação de restos ovulares; o útero geralmente é menor que o esperado para a idade gestacional. Na ameaça, o colo está fechado e não há eliminação de tecidos, com o útero mantendo o tamanho esperado.
A conduta é predominantemente expectante. Recomenda-se repouso relativo, abstinência sexual e uso de analgésicos ou antiespasmódicos se houver dor. O uso de progesterona é comum na prática, embora sua evidência de benefício seja restrita a casos de insuficiência de corpo lúteo ou abortamento de repetição.
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