HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025
R.C.F., 27 anos, primigesta, idade gestacional cronológica de 8 semanas, sem ultrassom prévio, deu entrada no pronto-socorro com queixa de sangramento vaginal vermelho-vivo em pequena quantidade. Submetida a ultrassom obstétrico inicial que demonstrou DMSG (diâmetro médio do saco gestacional) de 40 mm, CCN (comprimento cabeça-nádega) de 3 mm, vesícula vitelínica de 3 mm e batimentos cardioembrionários ausentes. Ao exame físico: especular: presença de pequena quantidade de sangue coletado em fórnice posterior. Sem sangramento ativo. Ao toque vaginal: colo impérvio, fundo uterino intrapélvico.Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta corretos, respectivamente.
DMSG 40mm sem embrião ou CCN 3mm sem BCF → repetir USG em 7-14 dias para confirmar aborto retido.
O caso apresenta sangramento vaginal e um ultrassom com DMSG de 40mm e CCN de 3mm sem batimentos cardíacos. Embora o CCN de 3mm sem BCF seja preocupante, o DMSG de 40mm sem embrião visível ou com embrião muito pequeno exige um segundo ultrassom para confirmar o diagnóstico de aborto retido, conforme os critérios de diagnóstico ultrassonográfico. A conduta inicial é de ameaça de abortamento até a confirmação.
O sangramento vaginal no primeiro trimestre é uma queixa comum e pode indicar desde uma ameaça de abortamento até um aborto em curso ou retido. A correta diferenciação dessas condições é fundamental para a conduta adequada e para evitar intervenções desnecessárias ou tardias. A ultrassonografia transvaginal é a ferramenta diagnóstica mais importante nesse cenário. No caso apresentado, a paciente tem sangramento vaginal, colo impérvio (característico de ameaça de abortamento ou aborto retido) e um ultrassom com DMSG de 40 mm e CCN de 3 mm sem batimentos cardíacos. Embora um CCN de 3 mm sem BCF seja um sinal de alerta, os critérios para o diagnóstico definitivo de aborto retido exigem um CCN ≥ 7 mm sem BCF ou um DMSG ≥ 25 mm sem embrião. O DMSG de 40 mm sem embrião visível ou com um embrião tão pequeno (3mm) sem BCF, ainda não atinge o critério definitivo de DMSG ≥ 25mm sem embrião, mas o CCN de 3mm sem BCF também não atinge o critério de CCN ≥ 7mm sem BCF. Portanto, a conduta mais segura e correta é considerar uma ameaça de abortamento até a confirmação da não viabilidade, repetindo o ultrassom em 7 a 14 dias. A conduta na ameaça de abortamento geralmente é expectante, com repouso relativo e abstinência sexual, aguardando a evolução do quadro. A repetição do ultrassom é crucial para reavaliar a vitalidade embrionária e o crescimento do saco gestacional/embrião. Se os critérios para aborto retido forem confirmados no segundo exame, então a conduta passará a ser o manejo do aborto retido, que pode ser expectante, medicamentoso ou cirúrgico (AMIU ou curetagem).
Os critérios ultrassonográficos definitivos para aborto retido incluem: CCN ≥ 7 mm sem batimentos cardíacos; DMSG ≥ 25 mm sem embrião; ou ausência de embrião com BCF após 11 dias de um ultrassom que mostrou saco gestacional sem vesícula vitelínica, ou após 14 dias de um ultrassom que mostrou saco gestacional e vesícula vitelínica.
A repetição do ultrassom é necessária quando os critérios definitivos para aborto retido não são totalmente preenchidos, como no caso de um CCN < 7 mm sem BCF ou DMSG < 25 mm sem embrião, para confirmar a não viabilidade da gestação.
Ameaça de abortamento é caracterizada por sangramento vaginal no primeiro trimestre com colo uterino fechado e presença de batimentos cardíacos fetais. Aborto retido é a não viabilidade da gestação (ausência de BCF ou embrião/saco gestacional não evolutivo) sem expulsão do conteúdo uterino.
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