Sangramento na Gestação Precoce: Diagnóstico e Conduta

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente com resultado de teste urinário positivo para gestação e DUM há 5 semanas procurou pronto-socorro com queixa de sangramento vaginal. Ao exame: útero intrapélvico, colo epitelizado, discreto sangramento coletado em fundo vaginal, sem sangramento ativo, colo impérvio. Realizado BHCG quantitativo com valor de 2400 mLU/mL e USTV evidenciando saco gestacional tópico de 14 mm de diâmetro médio, com vesícula vitelínica de 3 mm, não sendo visualizado embrião. O diagnóstico e conduta adequados são:

Alternativas

  1. A) abortamento em curso, internação e curetagem uterina.
  2. B) gestação anembrionada, internação e AMIU.
  3. C) gestação anembrionada, internação e misoprostol.
  4. D) ameaça de abortamento, orientações e repetir USTV em 10-14 dias.
  5. E) abortamento incompleto, orientações e repetir USTV em 48 horas.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal + SG 14mm sem embrião + colo impérvio = Ameaça de abortamento; repetir USTV em 10-14 dias.

Resumo-Chave

Diante de sangramento vaginal no primeiro trimestre com colo impérvio e saco gestacional visível, mas sem embrião em 5 semanas, o diagnóstico mais provável é ameaça de abortamento. É crucial repetir a ultrassonografia em 10-14 dias para reavaliar a vitalidade e o desenvolvimento embrionário, pois pode ser uma gestação muito inicial para visualizar o embrião.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no primeiro trimestre da gestação é uma queixa comum, ocorrendo em cerca de 20-30% das gestações. Embora possa ser um sinal de abortamento, muitas vezes a gestação evolui normalmente. A avaliação inicial inclui exame físico para determinar a condição do colo uterino (aberto ou fechado) e ultrassonografia transvaginal para avaliar a localização e vitalidade da gestação. A ameaça de abortamento é caracterizada por sangramento vaginal com ou sem dor, colo uterino fechado e presença de saco gestacional tópico com ou sem embrião visível. Nesses casos, a conduta é expectante, com repouso relativo e reavaliação ultrassonográfica em 10-14 dias para confirmar a vitalidade e o desenvolvimento embrionário. É crucial não se precipitar no diagnóstico de abortamento ou gestação anembrionada, especialmente em gestações muito precoces. Critérios rigorosos são utilizados para o diagnóstico de abortamento e gestação anembrionada. Um saco gestacional com diâmetro médio de 14mm sem embrião, como no caso, ainda está dentro da faixa em que o embrião pode não ser visível, especialmente se a datação pela DUM não for precisa. A repetição da ultrassonografia é essencial para diferenciar uma gestação viável de uma gestação não evolutiva, evitando intervenções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios ultrassonográficos para diagnosticar uma gestação anembrionada?

Uma gestação anembrionada é diagnosticada quando o saco gestacional tem um diâmetro médio maior ou igual a 25 mm e não há embrião, ou quando não há batimentos cardíacos embrionários com comprimento cabeça-nádegas (CCN) maior ou igual a 7 mm.

Qual a conduta inicial em caso de ameaça de abortamento?

A conduta inicial inclui repouso relativo, abstinência sexual e observação. É fundamental repetir a ultrassonografia transvaginal em 10-14 dias para reavaliar o desenvolvimento embrionário e a vitalidade fetal.

Por que não se deve diagnosticar gestação anembrionada com saco gestacional de 14mm sem embrião?

Um saco gestacional de 14mm sem embrião pode ser compatível com uma gestação muito inicial, onde o embrião ainda não é visível. Os critérios para gestação anembrionada exigem um saco gestacional maior (>= 25mm) ou um tempo de espera adequado para confirmação.

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