Ameaça de Abortamento: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Secundigesta, 11 semanas de gestação, refere sangramento vaginal em pequena quantidade há um dia. Ao toque, observa-se colo impérvio e a ultrassonografia mostra embrião com batimentos cardíacos e biometria compatível com 10,5 semanas. É recomendado?

Alternativas

  1. A) Realizar dosagem seriada de B-HCG, pois pode se tratar de mola incompleta.
  2. B) Orientar a gestante a seguir o pré-natal de rotina, pois se trata de ameaça de abortamento.
  3. C) Indicar repouso absoluto no leito até cessar o sangramento, pois se trata de abortamento evitável.
  4. D) Prescrever progesterona por via vaginal para diminuição do risco de perda fetal.

Pérola Clínica

Sangramento 1º trimestre + colo impérvio + BCF presente = Ameaça de abortamento → Pré-natal de rotina.

Resumo-Chave

O quadro de sangramento vaginal em pequena quantidade no primeiro trimestre, com colo uterino impérvio e presença de batimentos cardíacos fetais na ultrassonografia, é característico de ameaça de abortamento. Nesses casos, a conduta é expectante, com orientação para seguir o pré-natal de rotina, pois não há evidências de que repouso absoluto ou progesterona alterem o prognóstico.

Contexto Educacional

A ameaça de abortamento é uma condição comum no primeiro trimestre da gestação, caracterizada por sangramento vaginal de pequena a moderada intensidade, sem dilatação cervical e com o feto ainda viável. Estima-se que ocorra em 20-25% das gestações, e cerca de metade dessas gestações evolui normalmente. É crucial diferenciar a ameaça de abortamento de outras causas de sangramento, como abortamento inevitável, abortamento incompleto, gravidez ectópica ou mola hidatiforme. O diagnóstico é feito pela história clínica de sangramento, exame físico que revela colo uterino fechado (impérvio) e, fundamentalmente, pela ultrassonografia, que confirma a presença de um embrião ou feto com batimentos cardíacos. A biometria fetal compatível com a idade gestacional esperada reforça o bom prognóstico. A dosagem seriada de B-HCG não é a conduta primária neste cenário, pois a vitalidade fetal já foi confirmada pela USG. A conduta na ameaça de abortamento é predominantemente expectante. Não há evidências científicas robustas que suportem a eficácia do repouso absoluto no leito ou da suplementação de progesterona para todas as pacientes na prevenção da perda fetal. A orientação principal é tranquilizar a gestante, monitorar o sangramento e seguir o pré-natal de rotina, com acompanhamento ultrassonográfico para reavaliar a vitalidade fetal e o crescimento. A progesterona pode ser considerada em casos selecionados, como histórico de abortos de repetição.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma ameaça de abortamento?

A ameaça de abortamento é diagnosticada pela presença de sangramento vaginal no primeiro trimestre, com colo uterino fechado (impérvio) e evidência de vitalidade fetal (batimentos cardíacos presentes) na ultrassonografia.

O repouso absoluto é eficaz no tratamento da ameaça de abortamento?

Não, estudos demonstraram que o repouso absoluto no leito não melhora o prognóstico da ameaça de abortamento e pode até aumentar o risco de complicações como trombose. A orientação é manter atividades leves e seguir o pré-natal.

Quando a progesterona é indicada em casos de sangramento no primeiro trimestre?

A progesterona pode ser considerada em casos específicos de sangramento no primeiro trimestre, como em mulheres com histórico de abortos de repetição ou insuficiência do corpo lúteo, mas não é uma conduta universal para todas as ameaças de abortamento.

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