IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Mulher de 25 anos de idade, sem comorbidades prévias, procura atendimento na unidade de emergência por quadro de sangramento vaginal há 1 dia. Relata que o sangramento inicialmente era de pequena quantidade, mas teve piora nas últimas 2 horas, sendo agora de moderada quantidade. Além disso, relata atraso menstrual de 10 dias, não estando em uso de método contraceptivo atualmente. Nega ter tido relação sexual nas últimas 24 horas. Ao exame, apresenta PA 98x56mmHg e FC 101 bpm. Não há alterações ao exame abdominal, sendo que ao exame especular nota-se pequena quantidade de sangue coletado, sem sinais de sangramento ativo, com colo uterino sem lesões. Ao toque vaginal apresenta colo impérvio. A ultrassonografia pélvica transvaginal realizada na admissão evidencia uma gestação única, conforme pode ser visto na imagem a seguir, com comprimento cabeça nádega (CCN) de 4,2mm, compatível com 6 semanas e 1 dia.Os exames laboratoriais evidenciam dosagem de HCG de 7540UI/L, tipagem sanguínea A negativo e Coombs negativo. Sem outras alterações. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Rh negativo + sangramento na gravidez + Coombs negativo → Imunoglobulina anti-D imediata.
Em gestante Rh negativo com sangramento vaginal e Coombs indireto negativo, a imunoglobulina anti-D deve ser administrada prontamente para prevenir a isoimunização. A repetição do ultrassom é crucial para avaliar a vitalidade e evolução da gestação, enquanto o ácido fólico é essencial para o desenvolvimento fetal.
O caso descreve uma ameaça de abortamento em uma gestante jovem, caracterizada por sangramento vaginal e atraso menstrual, com ultrassonografia confirmando gestação intrauterina. A presença de sangramento em gestantes Rh negativo com Coombs indireto negativo é uma indicação clara para a administração profilática da imunoglobulina anti-D. Isso se deve ao risco de passagem de hemácias fetais Rh positivas para a circulação materna, o que poderia levar à sensibilização e produção de anticorpos anti-Rh, com graves consequências para gestações futuras. A conduta de repetir o ultrassom em 7 a 10 dias é apropriada para avaliar a evolução da gestação, especialmente porque o primeiro exame foi realizado em uma idade gestacional precoce (6 semanas e 1 dia), onde a visualização de batimentos cardíacos pode ainda ser incerta ou a evolução pode ser acompanhada. A administração de ácido fólico é uma recomendação universal no pré-natal, essencial para a prevenção de defeitos do tubo neural. É um erro comum aguardar a tipagem sanguínea do companheiro para decidir sobre a imunoglobulina anti-D, pois a profilaxia deve ser feita prontamente para evitar a sensibilização materna. O sulfato ferroso, embora importante no pré-natal, não é a prioridade imediata neste cenário de sangramento e risco de isoimunização, e não há indicação de anemia no enunciado. A internação e curetagem não são indicadas, pois não há diagnóstico de abortamento retido ou abortamento em curso com instabilidade hemodinâmica que justifique intervenção imediata.
A imunoglobulina anti-D é crucial para prevenir a isoimunização Rh. O sangramento vaginal pode indicar uma passagem de hemácias fetais para a circulação materna, o que pode sensibilizar a mãe se o feto for Rh positivo, levando a complicações em gestações futuras.
A repetição do ultrassom permite reavaliar a vitalidade embrionária, o crescimento do embrião e a presença de batimentos cardíacos, confirmando a evolução da gestação ou o diagnóstico de abortamento retido, especialmente quando o primeiro exame é muito precoce.
O ácido fólico é fundamental na prevenção de defeitos do tubo neural (DTN) no feto. Sua suplementação deve ser iniciada antes da concepção e mantida durante o primeiro trimestre da gravidez para garantir o fechamento adequado do tubo neural.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo