Pelagra: Diagnóstico, Sintomas e Suplementação de Niacina

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, 55 anos, apresenta-se ao ambulatório com queixas de dermatite, diarreia e sintomas neurológicos, como confusão mental e desorientação. Ao exame físico, observam-se erupções cutâneas simétricas nas áreas expostas ao sol, sugerindo um quadro de pelagra. O histórico dietético revela baixa ingestão de alimentos ricos em niacina e triptofano. O médico deve considerar o tratamento adequado para a pelagra. Com base nas diretrizes para o tratamento da pelagra, assinale a afirmativa correta:

Alternativas

  1. A) A administração de suplementos de vitamina B12 é o tratamento de escolha, pois a pelagra é causada por deficiência dessa vitamina.
  2. B) A terapia deve incluir apenas a correção dietética, sem necessidade de suplementação, uma vez que a dieta pode ser facilmente ajustada
  3. C) O uso de corticosteroides é recomendado para o tratamento da pelagra, pois ajuda a reduzir a inflamação cutânea.
  4. D) O tratamento adequado envolve a administração de niacina (vitamina B3) em doses elevadas, além de medidas dietéticas para garantir a ingestão adequada de triptofano.
  5. E) A pelagra é uma condição autoimune, e a terapia deve focar no uso de imunossupressores.

Pérola Clínica

Tríade da Pelagra: Dermatite (áreas expostas) + Diarreia + Demência → Reposição de Niacina (B3).

Resumo-Chave

A pelagra é causada pela deficiência de niacina ou triptofano. O tratamento padrão-ouro é a suplementação com nicotinamida em doses elevadas e correção dietética proteica.

Contexto Educacional

A pelagra é uma doença sistêmica resultante da deficiência de ácido nicotínico (niacina/vitamina B3) ou de seu precursor, o aminoácido triptofano. Historicamente associada a populações com dieta restrita ao milho, hoje é mais vista em pacientes com alcoolismo crônico, síndromes de má absorção, doença de Hartnup (defeito no transporte de triptofano) ou uso de certas drogas (como isoniazida, que interfere no metabolismo da B6, necessária para converter triptofano em niacina). A fisiopatologia envolve a redução dos níveis de NAD e NADP, coenzimas essenciais para reações de oxirredução e reparo de DNA em todo o corpo. Isso explica por que tecidos com alta taxa de renovação (pele e trato gastrointestinal) e alta demanda metabólica (cérebro) são os mais afetados. O tratamento precoce reverte rapidamente os sintomas gastrointestinais e neurológicos, enquanto as lesões cutâneas podem levar semanas para cicatrizar.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações dermatológicas clássicas da pelagra?

A dermatite da pelagra é caracterizada por erupções cutâneas simétricas, eritematosas e descamativas em áreas expostas ao sol (fotossensibilidade). Um sinal patognomônico é o 'Colar de Casal', uma lesão que circunda a base do pescoço. Com o tempo, a pele torna-se hiperqueratósica e hiperpigmentada, assemelhando-se a uma queimadura solar grave que não cicatriza adequadamente.

Como o triptofano influencia o desenvolvimento da pelagra?

O triptofano é um aminoácido essencial que serve como precursor para a síntese endógena de niacina no fígado. Aproximadamente 60 mg de triptofano são necessários para sintetizar 1 mg de niacina. Dietas deficientes em ambos, como aquelas baseadas exclusivamente em milho (que possui niacina ligada e pouco triptofano), predispõem ao surgimento da doença.

Qual a diferença entre niacina e nicotinamida no tratamento?

Embora ambos tratem a deficiência, a nicotinamida é preferida no tratamento da pelagra porque não causa o 'flushing' (rubor facial e prurido) associado a doses elevadas de ácido nicotínico (niacina). A dose terapêutica usual é de 300 a 600 mg de nicotinamida por dia, dividida em várias doses, até a resolução dos sintomas agudos.

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