CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Qual das refrações abaixo, sob cicloplegia, sem a devida correção, tem maior risco de causar ambliopia anisometrópica em uma criança de três anos?
Anisometropia hipermetrópica > 1.00D → maior risco ambliogênico que miópica ou astigmática.
A ambliopia anisometrópica ocorre quando a diferença de erro refracional entre os olhos impede a fusão binocular, sendo a hipermetropia a mais crítica devido à acomodação.
A ambliopia é a principal causa de baixa visão unilateral em crianças. A anisometropia hipermetrópica é particularmente perigosa porque é silenciosa; a criança não manifesta queixas, pois enxerga bem com um dos olhos. O rastreamento precoce e a refração sob cicloplegia são fundamentais para identificar esses casos antes do fim do período de plasticidade visual (aproximadamente aos 7-8 anos). No caso clínico apresentado, a diferença de 2.00D esféricas na hipermetropia (B) supera os limiares de segurança, exigindo intervenção imediata para evitar déficit visual permanente.
O risco é definido pela magnitude da diferença refracional entre os dois olhos. Na hipermetropia, diferenças acima de 1.00 a 1.50 dioptrias já são altamente ambliogênicas, pois o olho com maior erro nunca recebe uma imagem nítida, já que o esforço acomodativo foca o olho menos hipermetrope. Na miopia, o limiar costuma ser maior (acima de 3.00D), pois o olho míope pode ser usado para visão de perto.
A alternativa B apresenta uma anisometropia hipermetrópica de 2.00 dioptrias (OD +0.75 e OE +2.75). Como a criança de 3 anos acomoda para compensar a hipermetropia, ela focará com o olho de menor erro (OD), deixando o olho esquerdo (OE) constantemente borrado, o que leva à supressão cortical e ambliopia profunda se não tratada precocemente.
A conduta envolve a prescrição da correção óptica total ou parcial baseada na refração sob cicloplegia, seguida de avaliação da acuidade visual. Se houver diferença de visão persistente após o uso dos óculos, inicia-se a terapia de oclusão (tampão) do olho dominante para estimular o desenvolvimento visual do olho amblíope durante o período de plasticidade neural.
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