CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2021
Em 2020, foi aprovada pela ANVISA a primeira terapia gênica (voratigeno neparvoveque) para o tratamento da amaurose congênita de Leber causada por variantes patogênicas no gene RPE65. No que consiste essa terapia?
Luxturna = Terapia de ADIÇÃO gênica; usa vetor AAV2 para entregar gene RPE65 funcional.
O voretigene neparvovec (Luxturna) utiliza um vetor viral para adicionar uma cópia funcional do gene RPE65 às células da retina, restaurando o ciclo visual em pacientes com amaurose congênita de Leber.
A aprovação do voretigene neparvovec marcou uma nova era na oftalmologia e na medicina de precisão. O gene RPE65 codifica uma enzima essencial no ciclo visual, responsável por converter o all-trans-retinil éster em 11-cis-retinol. Sem essa enzima, os fotorreceptores não conseguem responder à luz, levando à cegueira progressiva desde a infância. A administração é feita via injeção sub-retiniana, criando um 'bleb' de fluido contendo os vetores virais que infectam as células do EPR. Esta terapia é um exemplo de 'gene augmentation', eficaz em doenças recessivas onde a perda de função pode ser suprida pela introdução de material genético exógeno estável (epissomal) dentro do núcleo celular.
O voretigene neparvovec-rzyl (Luxturna) é uma terapia gênica baseada em um vetor de vírus adeno-associado sorotipo 2 (AAV2). Ele é projetado para entregar uma cópia funcional do DNA complementar (cDNA) do gene RPE65 humano em células do epitélio pigmentado da retina (EPR), compensando a deficiência causada por mutações patogênicas.
Na adição gênica (como no caso do Luxturna), um novo gene funcional é inserido na célula para realizar a função que o gene mutado não consegue, mas o gene original defeituoso permanece lá. Na edição gênica (como CRISPR-Cas9), o DNA original do paciente é modificado, 'consertando' ou deletando a sequência específica da mutação diretamente no genoma.
Os candidatos são pacientes com perda visual confirmada devido a mutações bialélicas no gene RPE65 (Amaurose Congênita de Leber tipo 2 ou Retinite Pigmentosa tipo 20) que possuam células retinianas viáveis suficientes, conforme avaliado por exames de imagem como a tomografia de coerência óptica (OCT).
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