SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Mulher, 34 anos de idade, gestante de 36 semanas e 2 dias, secundigesta e primípara (parto vaginal há 10 anos, fruto de outro relacionamento), está realizando pré-natal em maternidade de alto risco por ser paciente HIV positiva. Vem em consulta de pré-natal para trazer resultado de carga viral que realizou com 34 semanas e 2 dias: 1.050 cópias/mL. Carga viral com 30 semanas era de 2.000 cópias/mL. Está assintomática, referindo boa movimentação fetal. Ao exame físico: corada e hidratada, altura uterina: 35cm, BCF: 144bpm em QIE, tônus uterino preservado, dinâmica uterina ausente.Sobre a amamentação, nesse caso, é correto afirmar.
HIV gestante com CV detectável → amamentação contraindicada, inibir lactação com cabergolina.
Em gestantes HIV positivas, a amamentação é contraindicada se a carga viral for detectável, mesmo que baixa, devido ao risco de transmissão vertical. A inibição da lactação é realizada com agonistas dopaminérgicos como a cabergolina.
A gestação em mulheres HIV positivas exige um pré-natal de alto risco e manejo cuidadoso para prevenir a transmissão vertical (TV) do HIV, que pode ocorrer durante a gestação, parto ou amamentação. A profilaxia da TV é uma prioridade na saúde pública, envolvendo terapia antirretroviral (TARV) para a gestante, escolha da via de parto e profilaxia para o recém-nascido. A decisão sobre a amamentação é um ponto crítico e tem diretrizes específicas. A fisiopatologia da transmissão vertical pelo leite materno envolve a presença de partículas virais no leite, mesmo em baixas concentrações. A amamentação é um fator de risco independente para a TV, e a carga viral materna é o principal preditor de risco. No entanto, mesmo com carga viral indetectável, o risco não é zero, e fatores como mastite ou fissuras mamárias podem aumentar a transmissão. A suspeita de não adesão à TARV ou monitoramento inadequado reforça a contraindicação. O tratamento para inibir a lactação é fundamental quando a amamentação é contraindicada. A cabergolina é um agonista dopaminérgico que age inibindo a secreção de prolactina pela hipófise, suprimindo assim a produção de leite. A dose usual é de 1 mg em dose única ou 0,5 mg a cada 12 horas por dois dias, administrada logo após o parto. É crucial orientar a paciente sobre a importância de não amamentar e sobre as alternativas de alimentação para o bebê.
No Brasil, a amamentação é contraindicada para gestantes HIV positivas, independentemente da carga viral, devido ao risco de transmissão vertical do vírus.
A cabergolina, um agonista dopaminérgico, é a medicação de escolha para inibir a lactação nessas pacientes, atuando na supressão da prolactina.
Mesmo com carga viral indetectável, há um risco residual de transmissão pelo leite materno, e a dificuldade de monitoramento contínuo e adesão à TARV justifica a contraindicação no contexto brasileiro.
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