INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um paciente de 24 anos, primigesta, vai à consulta médica pré-natal no posto de saúde. Nessa consulta pré-natal, o médico calculou a idade gestacional considerando sua primeira ultrassonografia de 12 semanas, concluindo que está com 41 semanas e 6 dias de gestação. Ao exame pélvico, observou colo uterino de consistência amolecida, posterior, apagado 30%, orifício externo fechado, apresentação alta e móvel. Na manobra de palpação fetal (de Leopold-Zweifel), percebeu-se que havia boa mobilidade fetal, sinalizando quantidade normal de líquido amniótico. Temendo o pós-datismo, o médico encaminhou a paciente para a internação na Maternidade. Lá chegando, foi submetida à cardiotocografia, cuja imagem é reproduzida abaixo: Qual a conduta que deve ser proposta para essa paciente?
Gestação 41-42 sem + colo desfavorável (Bishop < 6) + CTG normal → Misoprostol.
Em gestações de 41 semanas com colo uterino imaturo e vitalidade fetal preservada, o amadurecimento cervical com misoprostol é a conduta inicial para reduzir riscos de pós-maturidade.
O manejo da gestação que atinge 41 semanas exige equilíbrio entre os riscos da pós-maturidade (insuficiência placentária, oligodramnia, mecônio) e os riscos de uma indução malsucedida. O caso clínico apresenta uma paciente com 41 semanas e 6 dias, com colo desfavorável (posterior, amolecido, pouco apagado e fechado) e cardiotocografia normal (padrão tranquilizador). Neste cenário, a conduta padrão-ouro é o amadurecimento cervical. O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, atua promovendo a remodelação do colágeno cervical e estimulando contrações uterinas. Somente após o colo tornar-se favorável (Bishop ≥ 6) é que se inicia a fase de indução propriamente dita com ocitocina, se necessário. A cesariana fica reservada para casos de falha de indução ou deterioração da vitalidade fetal.
A indução do parto é geralmente recomendada entre 41 semanas e 41 semanas e 6 dias para reduzir a incidência de síndrome de aspiração de mecônio e morte perinatal, sem aumentar significativamente as taxas de cesariana. Se a vitalidade fetal (avaliada por cardiotocografia e perfil biofísico fetal) estiver normal, a indução é o caminho preferencial frente à conduta expectante após as 41 semanas.
O Índice de Bishop avalia a 'maturidade' do colo uterino (dilatação, apagamento, consistência, posição e altura da apresentação). Um Bishop < 6 indica um colo desfavorável ou imaturo. Nesses casos, a indução direta com ocitocina tem alta taxa de falha. Portanto, recomenda-se primeiro o amadurecimento cervical, geralmente com métodos farmacológicos (como o misoprostol) ou mecânicos (sonda de Foley).
A principal contraindicação ao uso de misoprostol para amadurecimento cervical e indução do parto é a presença de cicatriz uterina prévia (cesariana anterior ou miomectomia), devido ao risco aumentado de ruptura uterina. Outras contraindicações incluem hipersensibilidade à droga, evidência de sofrimento fetal agudo e situações onde o parto vaginal é contraindicado (ex: placenta prévia).
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