SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2023
Leia o caso clínico. Paciente de 79 anos, com diagnostico prévio de diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos, associado a cirrose hepática (classe C – Child-Pugh) e doença de Alzheimer, PPS (Paliative Performance Scale) de 60%, em uso de insulina degludeca, 32 u /dia e insulina aspart fiasp, aplicada após refeição de acordo com aceitação da paciente. De acordo com American Diabetes Association, qual o alvo de glicemia para essa paciente?
Idoso frágil, múltiplas comorbidades, baixa PPS → Alvo HbA1c < 8%, glicemia jejum 90-150 mg/dL para evitar hipoglicemia.
Para pacientes idosos frágeis com múltiplas comorbidades, como cirrose Child-Pugh C e Alzheimer, os alvos glicêmicos devem ser menos rigorosos. A American Diabetes Association (ADA) recomenda HbA1c < 8% e glicemia de jejum entre 90-150 mg/dL para priorizar a qualidade de vida e evitar hipoglicemia.
O manejo do diabetes mellitus tipo 2 em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades e fragilidade, exige uma abordagem individualizada e menos intensiva. As diretrizes da American Diabetes Association (ADA) enfatizam a importância de adaptar os alvos glicêmicos para evitar hipoglicemia, que pode ter consequências devastadoras em idosos, como quedas, fraturas, hospitalizações e piora da função cognitiva. Pacientes com condições como cirrose hepática avançada (Child-Pugh C), doença de Alzheimer e baixa pontuação na Paliative Performance Scale (PPS) indicam um cenário de saúde complexo e expectativa de vida limitada. Nesses casos, o foco do tratamento muda de um controle glicêmico rigoroso para a prevenção de sintomas e complicações agudas, como hiperglicemia sintomática e, principalmente, hipoglicemia. Para pacientes com saúde muito complexa ou em fim de vida, a ADA sugere um alvo de HbA1c < 8,0% e glicemia de jejum entre 90-150 mg/dL. Essa flexibilidade visa otimizar a qualidade de vida do paciente, reduzir a carga de tratamento e minimizar os riscos de eventos adversos relacionados à medicação. Para residentes, é fundamental compreender que a geriatria e a endocrinologia se cruzam nesse ponto, exigindo uma avaliação holística do paciente. A capacidade de ajustar os alvos terapêuticos com base no perfil de fragilidade e comorbidades é um diferencial na prática clínica e um ponto frequentemente abordado em questões de prova, que testam a capacidade de aplicar as diretrizes em cenários complexos.
Idosos frágeis têm maior risco de hipoglicemia, que pode levar a quedas, hospitalizações e declínio cognitivo. Alvos menos rigorosos priorizam a segurança e a qualidade de vida, minimizando os riscos associados ao controle glicêmico intensivo.
Fatores como idade, presença de comorbidades (doença renal crônica, cardiovascular, hepática, demência), expectativa de vida, risco de hipoglicemia, capacidade funcional (avaliada por PPS) e preferências do paciente influenciam a individualização dos alvos.
Pacientes com cirrose hepática avançada (Child-Pugh C) têm maior risco de hipoglicemia devido à redução da gliconeogênese hepática e metabolismo alterado da insulina. Isso reforça a necessidade de alvos glicêmicos mais flexíveis e monitoramento cuidadoso.
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