Mieloma Múltiplo: Entenda as Complicações Renais

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025

Enunciado

Com relação às alterações renais do mieloma múltiplo pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) Quando os glomérulos estão comprometidos a proteinúria é seletiva.
  2. B) Pacientes com essa afecção apresentam aumento do hiato aniônico, visto que o componente M também o é, resultando em perda de cloreto.
  3. C) Raramente a lesão tubular associada a retenção de cadeias leves.
  4. D) A hiperuricemia e a infiltração ocasional dos rins por células do mieloma podem contribuir para disfunção renal.
  5. E) Em geral a urina contém quantidade muito grande de albumina, uma vez que a função glomerular costuma estar alterada.

Pérola Clínica

Mieloma Múltiplo: disfunção renal comum por nefropatia de cadeias leves, hiperuricemia e, ocasionalmente, infiltração renal.

Resumo-Chave

As alterações renais no mieloma múltiplo são frequentes e multifatoriais. A nefropatia por cilindros de cadeias leves é a causa mais comum, mas a hiperuricemia (devido ao alto turnover celular) e a infiltração ocasional dos rins por células do mieloma também contribuem significativamente para a disfunção renal.

Contexto Educacional

O mieloma múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que frequentemente afeta os rins, sendo a disfunção renal uma complicação comum e um fator prognóstico importante. A patogênese da lesão renal é multifatorial, envolvendo principalmente a nefropatia por cilindros de cadeias leves, mas também outros mecanismos como hipercalcemia, hiperuricemia, amiloidose AL e, menos frequentemente, infiltração direta por células plasmáticas. A nefropatia por cilindros de cadeias leves, ou 'rim de mieloma', ocorre quando as cadeias leves monoclonais (proteína de Bence Jones) filtradas pelos glomérulos excedem a capacidade de reabsorção tubular. Elas se ligam à proteína de Tamm-Horsfall nos túbulos distais, formando cilindros obstrutivos que causam inflamação e fibrose intersticial. A hipercalcemia, comum no mieloma, pode levar à nefrocalcinose e vasoconstrição renal, exacerbando a lesão. A hiperuricemia, devido ao aumento do turnover celular, pode causar nefropatia por urato. É crucial que os profissionais de saúde reconheçam essas alterações para um manejo adequado. A avaliação da função renal e a pesquisa de proteinúria de Bence Jones são mandatórias no diagnóstico e acompanhamento do mieloma múltiplo. O tratamento visa reduzir a produção de cadeias leves e proteger os rins, com medidas como hidratação vigorosa, alcalinização urinária (em casos de hiperuricemia) e quimioterapia específica para o mieloma. A compreensão desses mecanismos é vital para a prevenção e o tratamento das complicações renais, melhorando o prognóstico dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de disfunção renal no mieloma múltiplo?

A principal causa de disfunção renal no mieloma múltiplo é a nefropatia por cilindros de cadeias leves, também conhecida como 'rim de mieloma', onde as cadeias leves monoclonais se precipitam nos túbulos renais, formando cilindros obstrutivos e causando lesão tubular.

Como a hiperuricemia contribui para a disfunção renal no mieloma múltiplo?

A hiperuricemia, resultante do alto turnover celular e da lise das células plasmáticas malignas, pode levar à precipitação de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, causando nefropatia por urato e contribuindo para a insuficiência renal.

A proteinúria no mieloma múltiplo é seletiva ou não seletiva?

A proteinúria no mieloma múltiplo é predominantemente de cadeias leves (proteína de Bence Jones), que não é seletiva para albumina e frequentemente não é detectada por testes de fita reagente de rotina. Se houver comprometimento glomerular secundário (ex: amiloidose), pode haver proteinúria não seletiva com albumina.

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