SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Uma criança de 1 ano de idade foi levada para consulta de rotina. Na história clínica, a mãe referiu desmame completo aos 3 meses de vida, passando a ofertar leite de vaca integral. Negou uso de ferro oral até o momento. Foram solicitados exames complementares para avaliar possível deficiência de ferro.Qual é a alteração laboratorial inicial nos casos de deficiência de ferro?
Deficiência de ferro: 1º sinal laboratorial = ↓ ferritina (estoques). Depois ↓ ferro sérico, ↑ TIBC, ↓ saturação transferrina, microcitose e hipocromia.
A deficiência de ferro ocorre em estágios. A primeira alteração laboratorial a ser observada é a redução da ferritina sérica, que reflete a depleção dos estoques de ferro do organismo, mesmo antes do surgimento da anemia ou de outras alterações no hemograma.
A deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente crianças pequenas e mulheres em idade fértil. Em crianças, fatores como desmame precoce, introdução inadequada de alimentos complementares e consumo excessivo de leite de vaca integral (que é pobre em ferro e pode inibir sua absorção) são causas frequentes. A deficiência de ferro, se não tratada, pode levar à anemia ferropriva, com impactos negativos no desenvolvimento cognitivo e motor. A fisiopatologia da deficiência de ferro envolve a depleção gradual dos estoques de ferro do organismo. O diagnóstico laboratorial reflete essa progressão. Inicialmente, o corpo utiliza suas reservas de ferro, e o primeiro sinal dessa depleção é a queda da ferritina sérica. A ferritina é uma proteína que armazena ferro e seus níveis são diretamente proporcionais aos estoques corporais de ferro. É importante suspeitar de deficiência de ferro em crianças com histórico alimentar inadequado, como o caso da criança de 1 ano que foi desmamada precocemente e recebeu leite de vaca integral. Após a queda da ferritina, outros parâmetros começam a se alterar: o ferro sérico diminui, a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) aumenta, e a saturação da transferrina diminui. Somente em estágios mais avançados da deficiência, quando a oferta de ferro para a medula óssea é insuficiente, é que a hemoglobina começa a cair, caracterizando a anemia. Nesse ponto, o hemograma mostrará microcitose (glóbulos vermelhos pequenos) e hipocromia (glóbulos vermelhos pálidos), além de anisocitose (variação no tamanho dos glóbulos vermelhos), refletida pelo aumento do RDW (Red Cell Distribution Width). Portanto, a redução da ferritina é o marcador mais sensível e precoce da deficiência de ferro, permitindo o diagnóstico e a intervenção antes do estabelecimento da anemia franca.
A primeira alteração laboratorial que indica deficiência de ferro é a redução da ferritina sérica. A ferritina é a principal proteína de armazenamento de ferro no corpo e seus níveis refletem diretamente os estoques de ferro.
A ferritina é o marcador mais precoce porque seus níveis diminuem quando os estoques de ferro começam a ser depletados, antes mesmo que o ferro disponível para a eritropoiese seja afetado, e antes do surgimento de anemia ou alterações morfológicas nos glóbulos vermelhos.
A deficiência de ferro progride em estágios: 1) Depleção dos estoques (ferritina baixa); 2) Eritropoiese deficiente em ferro (ferro sérico baixo, saturação da transferrina baixa, TIBC elevado, protoporfirina eritrocitária livre elevada); 3) Anemia ferropriva (hemoglobina baixa, microcitose, hipocromia, anisocitose).
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