Deficiência de Ferro: Alteração Laboratorial Inicial

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 1 ano de idade foi levada para consulta de rotina. Na história clínica, a mãe referiu desmame completo aos 3 meses de vida, passando a ofertar leite de vaca integral. Negou uso de ferro oral até o momento. Foram solicitados exames complementares para avaliar possível deficiência de ferro.Qual é a alteração laboratorial inicial nos casos de deficiência de ferro?

Alternativas

  1. A) Redução do ferro sérico
  2. B) Redução da ferritina
  3. C) Microcitose
  4. D) Anisocitose

Pérola Clínica

Deficiência de ferro: 1º sinal laboratorial = ↓ ferritina (estoques). Depois ↓ ferro sérico, ↑ TIBC, ↓ saturação transferrina, microcitose e hipocromia.

Resumo-Chave

A deficiência de ferro ocorre em estágios. A primeira alteração laboratorial a ser observada é a redução da ferritina sérica, que reflete a depleção dos estoques de ferro do organismo, mesmo antes do surgimento da anemia ou de outras alterações no hemograma.

Contexto Educacional

A deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo, afetando principalmente crianças pequenas e mulheres em idade fértil. Em crianças, fatores como desmame precoce, introdução inadequada de alimentos complementares e consumo excessivo de leite de vaca integral (que é pobre em ferro e pode inibir sua absorção) são causas frequentes. A deficiência de ferro, se não tratada, pode levar à anemia ferropriva, com impactos negativos no desenvolvimento cognitivo e motor. A fisiopatologia da deficiência de ferro envolve a depleção gradual dos estoques de ferro do organismo. O diagnóstico laboratorial reflete essa progressão. Inicialmente, o corpo utiliza suas reservas de ferro, e o primeiro sinal dessa depleção é a queda da ferritina sérica. A ferritina é uma proteína que armazena ferro e seus níveis são diretamente proporcionais aos estoques corporais de ferro. É importante suspeitar de deficiência de ferro em crianças com histórico alimentar inadequado, como o caso da criança de 1 ano que foi desmamada precocemente e recebeu leite de vaca integral. Após a queda da ferritina, outros parâmetros começam a se alterar: o ferro sérico diminui, a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) aumenta, e a saturação da transferrina diminui. Somente em estágios mais avançados da deficiência, quando a oferta de ferro para a medula óssea é insuficiente, é que a hemoglobina começa a cair, caracterizando a anemia. Nesse ponto, o hemograma mostrará microcitose (glóbulos vermelhos pequenos) e hipocromia (glóbulos vermelhos pálidos), além de anisocitose (variação no tamanho dos glóbulos vermelhos), refletida pelo aumento do RDW (Red Cell Distribution Width). Portanto, a redução da ferritina é o marcador mais sensível e precoce da deficiência de ferro, permitindo o diagnóstico e a intervenção antes do estabelecimento da anemia franca.

Perguntas Frequentes

Qual é a primeira alteração laboratorial que indica deficiência de ferro?

A primeira alteração laboratorial que indica deficiência de ferro é a redução da ferritina sérica. A ferritina é a principal proteína de armazenamento de ferro no corpo e seus níveis refletem diretamente os estoques de ferro.

Por que a ferritina é o marcador mais precoce da deficiência de ferro?

A ferritina é o marcador mais precoce porque seus níveis diminuem quando os estoques de ferro começam a ser depletados, antes mesmo que o ferro disponível para a eritropoiese seja afetado, e antes do surgimento de anemia ou alterações morfológicas nos glóbulos vermelhos.

Quais são os estágios da deficiência de ferro e suas alterações laboratoriais?

A deficiência de ferro progride em estágios: 1) Depleção dos estoques (ferritina baixa); 2) Eritropoiese deficiente em ferro (ferro sérico baixo, saturação da transferrina baixa, TIBC elevado, protoporfirina eritrocitária livre elevada); 3) Anemia ferropriva (hemoglobina baixa, microcitose, hipocromia, anisocitose).

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