UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
Em relação às alterações laboratoriais encontradas no paciente com cirrose hepática, considere as afirmativas a seguir.I. A hipergamaglobulinemia ocorre pela presença de shunts portossistêmicos.II. Para o diagnóstico na etiologia alcoólica, é necessário que a aspartato aminotransferase esteja elevada, no mínimo, em duas vezes o limite superior da normalidade.III. Hipernatremia é um achado comum no cirrótico descompensado com ascite.IV. A trombocitopenia resulta, dentre vários fatores, da diminuição da síntese hepática de trombopoetina.Assinale a alternativa correta.
Cirrose: Hipergamaglobulinemia por shunts e trombocitopenia por ↓ trombopoetina são achados corretos. Hiponatremia é comum, não hipernatremia.
Na cirrose, a hipergamaglobulinemia é uma consequência dos shunts portossistêmicos que permitem a passagem de antígenos intestinais para a circulação sistêmica, estimulando o sistema imune. A trombocitopenia é multifatorial, mas a diminuição da síntese hepática de trombopoetina é um fator importante, além do hiperesplenismo. Hiponatremia dilucional é comum, não hipernatremia.
A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que leva a uma série de alterações sistêmicas e laboratoriais, sendo um tema de grande relevância na prática clínica e em provas de residência. A compreensão dessas alterações é crucial para o diagnóstico, monitoramento e manejo dos pacientes cirróticos. Entre as alterações laboratoriais, a hipergamaglobulinemia é um achado frequente e está diretamente relacionada à presença de shunts portossistêmicos. Esses shunts permitem que produtos bacterianos e toxinas intestinais, que normalmente seriam metabolizados pelo fígado, alcancem a circulação sistêmica, estimulando o sistema imune e a produção de imunoglobulinas. A trombocitopenia é outra alteração comum e multifatorial, sendo a diminuição da síntese hepática de trombopoetina um fator importante, além do hiperesplenismo. Por outro lado, a hiponatremia dilucional, e não a hipernatremia, é o distúrbio eletrolítico mais prevalente em cirróticos descompensados com ascite, devido à retenção de água livre. Para o diagnóstico de hepatite alcoólica, a relação AST/ALT tipicamente é > 2:1, mas a elevação da AST em 'no mínimo duas vezes o limite superior da normalidade' não é um critério diagnóstico isolado e pode ser inespecífico. O manejo do paciente cirrótico exige uma abordagem multidisciplinar, com foco na prevenção e tratamento das complicações, e a interpretação correta dos exames laboratoriais é um pilar fundamental dessa abordagem.
A hipergamaglobulinemia na cirrose é causada pela presença de shunts portossistêmicos. Estes shunts permitem que antígenos bacterianos e toxinas do intestino bypassam o fígado, que normalmente os filtraria, e entrem na circulação sistêmica, estimulando uma resposta imune e a produção de gamaglobulinas.
A trombocitopenia na cirrose é multifatorial. As principais causas incluem hiperesplenismo (sequestro de plaquetas pelo baço aumentado), diminuição da síntese hepática de trombopoetina (hormônio que estimula a produção de plaquetas) e, em menor grau, supressão medular e consumo de plaquetas na coagulopatia.
A hiponatremia dilucional é o distúrbio de sódio mais comum na cirrose descompensada com ascite. Isso ocorre devido à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e à secreção não osmótica de ADH, levando à retenção de água livre e diluição do sódio sérico.
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