Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Paciente de 25 anos apresenta dor mamária cíclica e nódulos mamários móveis bilaterais. Qual hipótese diagnóstica é mais provável?
Mastalgia cíclica + nódulos móveis bilaterais → Alterações Funcionais Benignas da Mama (AFBM).
A doença fibroquística reflete a resposta exagerada do parênquima mamário às flutuações hormonais fisiológicas, sendo a causa mais comum de mastalgia em mulheres jovens.
As Alterações Funcionais Benignas da Mama (AFBM) representam a condição mamária mais frequente em mulheres em idade reprodutiva. A fisiopatologia está ligada à sensibilidade do estroma e do epitélio mamário aos hormônios ovarianos, resultando em fenômenos de proliferação e involução que geram dor e nodularidade. É essencial que o médico residente saiba diferenciar essas alterações fisiológicas de processos neoplásicos, utilizando a anamnese (caráter cíclico da dor) e o exame físico (mobilidade e bilateralidade) como pilares diagnósticos. Em pacientes com menos de 30 anos, a ultrassonografia é o exame de imagem de escolha para avaliar nódulos persistentes, enquanto a mamografia é reservada para pacientes mais velhas ou com achados suspeitos.
A doença fibroquística da mama, ou alterações funcionais benignas da mama (AFBM), não é considerada uma doença propriamente dita, mas sim uma resposta exacerbada do tecido mamário às variações hormonais do ciclo menstrual. Clinicamente, manifesta-se por mastalgia cíclica (dor que piora no período pré-menstrual) e o surgimento de áreas de adensamento ou nódulos móveis, geralmente bilaterais. Fisiopatologicamente, ocorre um desequilíbrio entre estrogênio e progesterona, levando a edema estromal, proliferação ductal e formação de microcistos. O diagnóstico é eminentemente clínico em pacientes jovens, mas a ultrassonografia pode ser utilizada para descartar lesões sólidas suspeitas. O manejo foca na tranquilização da paciente, uso de sutiãs adequados e, em casos de dor intensa, analgésicos ou modulação hormonal, sempre reforçando a natureza benigna da condição e a ausência de risco aumentado para neoplasia maligna.
O tratamento da mastalgia cíclica associada às alterações fibroquísticas é prioritariamente conservador e baseado em medidas não farmacológicas. A primeira linha consiste na orientação e tranquilização da paciente (reassurance) sobre a benignidade do quadro. O uso de sutiãs esportivos com bom suporte pode reduzir o desconforto mecânico. Em casos de dor persistente que interfere na qualidade de vida, podem ser utilizados analgésicos comuns ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) tópicos ou sistêmicos durante o período perimenstrual. Terapias hormonais como o tamoxifeno em doses baixas ou danazol são reservadas para casos graves e refratários devido aos seus efeitos colaterais significativos. Ajustes dietéticos, como redução de cafeína, embora populares, carecem de evidências científicas robustas, mas podem ser tentados individualmente.
Na grande maioria dos casos, as alterações funcionais benignas da mama (AFBM) não conferem um aumento significativo no risco de desenvolvimento de câncer de mama. A condição é caracterizada por alterações não proliferativas, como cistos, fibrose e metaplasia apócrina, que são consideradas variantes da normalidade. O risco só é discretamente elevado quando existem evidências histológicas de lesões proliferativas, como a hiperplasia ductal usual. O risco torna-se moderadamente aumentado apenas se houver hiperplasia atípica (ductal ou lobular). Portanto, para a apresentação clássica de dor cíclica e nódulos móveis em mulheres jovens, o acompanhamento clínico de rotina é suficiente, não sendo necessária a realização de biópsias sistemáticas ou rastreamento intensificado além do preconizado para a faixa etária da paciente.
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