SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Gestante, de 29 anos, com 34 semanas de idade gestacional, comparece à emergência preocupada por achar estar com Covid-19, referindo adinamia, congestão nasal e dispneia leve, principalmente ao deitar. Seu exame mostrou saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente, frequência respiratória de 23 irpm, temperatura axilar de 37,2 °C e ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares diminuídos nas bases bilateralmente. Marque o item que contém sua hipótese diagnóstica e conduta.
Gestante 34s com dispneia leve, congestão nasal, adinamia e MV ↓ bases, sem febre/hipoxemia → Fisiológico da gravidez.
Sintomas como dispneia leve (especialmente ao deitar), congestão nasal e adinamia são comuns e fisiológicos na gestação avançada devido a alterações hormonais e mecânicas. Com sinais vitais estáveis e saturação de oxigênio normal, a conduta inicial é tranquilizar e orientar sobre sinais de alarme.
A gestação induz uma série de alterações fisiológicas no corpo feminino, muitas das quais podem mimetizar sintomas de doenças. No sistema respiratório, o aumento do volume uterino leva à elevação do diafragma, diminuindo o volume pulmonar residual e a capacidade residual funcional. Isso, combinado com o aumento da demanda metabólica e da progesterona (que estimula o centro respiratório), pode causar dispneia leve em até 75% das gestantes, especialmente no terceiro trimestre e em decúbito dorsal. Além disso, o aumento dos níveis de estrogênio provoca hiperemia e edema da mucosa nasal, resultando em congestão nasal e rinorreia, que podem ser confundidas com sintomas de resfriado ou infecção viral. A adinamia e o cansaço também são queixas comuns devido às adaptações metabólicas e hormonais da gravidez. É crucial que o profissional de saúde saiba diferenciar essas manifestações fisiológicas de condições patológicas, especialmente em um contexto de preocupação com doenças infecciosas como a COVID-19. No caso apresentado, a gestante com 34 semanas, saturação de oxigênio de 96%, frequência respiratória de 23 irpm e temperatura de 37,2 °C, sem outros sinais de gravidade, apresenta um quadro compatível com as alterações fisiológicas da gravidez. A conduta mais adequada é tranquilizá-la, fornecer orientações sobre os sintomas fisiológicos, medidas de higiene e sinais de alarme para doenças respiratórias, evitando intervenções desnecessárias e ansiedade.
Na gestação, é comum ocorrer dispneia leve, especialmente no terceiro trimestre, devido à elevação do diafragma pelo útero gravídico e ao aumento da demanda de oxigênio. A congestão nasal e a rinorreia também são frequentes, causadas pelo aumento do estrogênio e da vascularização da mucosa nasal.
A dispneia fisiológica é geralmente leve, não progressiva, sem outros sinais de gravidade (como taquipneia acentuada, dor torácica, tosse produtiva, febre ou hipoxemia) e não interfere significativamente nas atividades diárias. A dispneia patológica, por outro lado, é mais intensa, progressiva e frequentemente acompanhada de outros sintomas de doença.
A internação é indicada para gestantes com sinais de gravidade, como saturação de oxigênio abaixo de 95%, frequência respiratória acima de 24 irpm, dispneia grave, sinais de desidratação, febre persistente ou evidência de pneumonia ou outras complicações respiratórias. Casos leves, sem sinais de alarme, podem ser manejados ambulatorialmente com orientações.
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