Lesões Cervicais na Gestação: Abordagem Diagnóstica e Terapêutica

SMS Foz do Iguaçu - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2025

Enunciado

Em relação a abordagem diagnóstica e terapêutica de gestantes com alterações citológicas cervicais, considere as diretrizes atuais para o rastreamento do câncer de colo de útero e assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A avaliação endometrial deve ser realizada rotineiramente em todas as gestantes com citologia anormal, independentemente da idade e do tipo de lesão identificada, devido ao risco aumentado de neoplasia concomitante.
  2. B) A biópsia do colo do útero durante a gestação deve ser reservada apenas para casos em que a colposcopia revele achados altamente sugestivos de invasão, uma vez que o procedimento apresenta maior risco de sangramento e raramente altera a conduta terapêutica durante a gestação.
  3. C) A colposcopia é contraindicada em qualquer trimestre gestacional, pois as modificações fisiológicas do colo uterino durante a gravidez comprometem a acurácia do exame e aumentam o risco de complicações obstétricas.
  4. D) Diante do diagnóstico de NIC II/IIl em gestantes, a conduta recomendada é o tratamento imediato com excisão da zona de transformação (EZT), pois a progressão para o carcinoma invasivo é significativamente maior nesse grupo.
  5. E) Gestantes com diagnóstico de LSIL devem ser submetidas à cesariana obrigatória para reduzir o risco de transmissão vertical do HPV e prevenir possíveis complicações neonatais associadas a infecção viral.

Pérola Clínica

Colposcopia na gestação é segura; biópsia só para suspeita de invasão, devido ao risco de sangramento.

Resumo-Chave

A colposcopia pode ser realizada durante a gestação, mas a biópsia cervical deve ser restrita a casos com forte suspeita de lesão invasiva, devido ao maior risco de sangramento e à pouca alteração na conduta terapêutica durante a gravidez. A maioria das lesões de baixo grau regride espontaneamente após o parto.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de colo de útero não deve ser interrompido durante a gestação, e a identificação de alterações citológicas cervicais exige uma abordagem cuidadosa para equilibrar a saúde materna e fetal. As modificações fisiológicas do colo uterino na gravidez, como a eversão da junção escamocolunar, podem facilitar a visualização da zona de transformação, mas também podem alterar a interpretação colposcópica. A colposcopia é um exame seguro e fundamental para avaliar citologias anormais em gestantes. No entanto, a biópsia cervical deve ser realizada com cautela e apenas quando há forte suspeita de lesão invasiva, devido ao aumento da vascularização do colo na gravidez, que eleva o risco de sangramento. Lesões de baixo grau (LSIL) frequentemente regridem espontaneamente após o parto, e mesmo lesões de alto grau (NIC II/III) geralmente podem ser acompanhadas até o puerpério, com tratamento definitivo postergado. A conduta terapêutica para NIC II/III em gestantes é, na maioria dos casos, o acompanhamento rigoroso, com reavaliação colposcópica e citológica periódica. O tratamento excisional (como a EZT) é reservado para casos de suspeita de carcinoma invasivo, devido aos riscos de prematuridade, sangramento e incompetência istmocervical. O parto vaginal não é contraindicado para gestantes com lesões cervicais pré-invasivas, e a cesariana não previne a transmissão vertical do HPV.

Perguntas Frequentes

A colposcopia é segura durante a gestação?

Sim, a colposcopia é considerada segura em qualquer trimestre gestacional e é recomendada para avaliar citologias anormais. Embora as modificações fisiológicas do colo uterino na gravidez possam alterar a aparência colposcópica, o exame ainda é acurado para identificar lesões.

Quando a biópsia do colo do útero é indicada em gestantes?

A biópsia do colo do útero durante a gestação deve ser reservada para casos em que a colposcopia revele achados altamente sugestivos de carcinoma invasivo. Isso se deve ao maior risco de sangramento e à raridade de alteração da conduta terapêutica durante a gravidez para lesões pré-invasivas.

Qual a conduta para NIC II/III diagnosticada durante a gestação?

Para o diagnóstico de NIC II/III em gestantes, a conduta recomendada é geralmente o acompanhamento colposcópico e citológico rigoroso, postergando o tratamento definitivo para o período pós-parto. A excisão da zona de transformação (EZT) é reservada apenas para casos com forte suspeita de invasão, devido aos riscos obstétricos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo