HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2019
Você está com uma criança internada para tratamento de um quadro de bronquiolite aguda. No momento ela encontra-se estável, sem necessidade de oxigenioterapia, alimentando-se regularmente ao seio, mas mantém-se ainda com uma frequência respiratória de 70irpm. Os pais mostram-se insatisfeitos com o tratamento instituído e solicitam alta contra a indicação médica. A melhor conduta a ser tomada é:
Alta a pedido com risco iminente à vida/saúde → Recusar, documentar, comunicar direção clínica/jurídico.
Em casos de alta a pedido contra indicação médica, especialmente em pacientes pediátricos com risco potencial (FR 70irpm em bronquiolite), o médico deve recusar a alta, documentar a situação e comunicar a direção clínica ou o serviço jurídico para proteção do paciente e do profissional.
A situação de alta a pedido contra indicação médica é um dilema ético e legal complexo na prática médica, especialmente em pediatria. Embora o paciente (ou seus responsáveis legais) tenha o direito à autonomia e de recusar tratamento, o médico tem o dever ético e legal de zelar pela vida e saúde do paciente. Em casos de risco iminente de agravamento da condição ou morte, a autonomia do paciente pode ser limitada pela responsabilidade médica. No cenário de uma criança com bronquiolite aguda e taquipneia significativa (FR 70irpm), mesmo que estável no momento, a alta hospitalar pode representar um risco considerável de descompensação e complicações graves. Nesses casos, a conduta correta não é simplesmente conceder a alta com um termo de responsabilidade, pois este documento não exime o médico de sua responsabilidade legal e ética se a alta for claramente prejudicial à criança. A melhor abordagem é recusar a alta, explicar detalhadamente aos pais os riscos envolvidos, documentar toda a conversa e a condição clínica da criança no prontuário, e imediatamente comunicar a situação ao diretor clínico, ao serviço social ou ao departamento jurídico do hospital. Essa comunicação institucional é vital para buscar apoio na resolução do conflito, proteger a criança e salvaguardar o profissional de saúde de futuras implicações legais. A prioridade é sempre a segurança e o bem-estar do paciente, especialmente quando se trata de um menor de idade.
O médico pode e deve recusar uma alta a pedido quando há risco iminente de dano grave ou morte para o paciente, especialmente se o paciente for menor de idade ou incapaz de tomar decisões informadas, prevalecendo o dever de proteção à vida.
A documentação detalhada da recusa, dos riscos explicados e da comunicação à direção clínica ou ao serviço jurídico é fundamental para a proteção legal do médico e da instituição, além de buscar uma solução institucional para o caso e garantir a segurança do paciente.
O termo de responsabilidade não isenta completamente o médico se a alta for concedida em situação de risco iminente e o paciente for menor ou incapaz. A prioridade é a vida e a saúde do paciente, e a equipe deve esgotar as possibilidades de manter o paciente internado com segurança.
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