CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Um paciente de 35 anos, alto míope de -15 DE em ambos os olhos vem ao consultório queixando-se de que, na última visita ao oftalmologista, foram prescritos óculos que não conseguiu utilizar. Refere boa visão com os óculos antigos e refração estável nos últimos anos exceto pela da última consulta. Qual a alternativa correta em relação a este caso?
Alta miopia → Sobrerrefração sobre óculos antigos minimiza erros de distância vértice e inclinação.
Em altas ametropias, pequenas variações na posição da lente (vértice e inclinação) alteram o poder efetivo. A sobrerrefração compensa essas variáveis inerentes à montagem.
A prescrição óptica para altos míopes (geralmente acima de -6.00 DE) apresenta desafios únicos devido às leis da óptica física. O poder efetivo de uma lente não depende apenas de sua curvatura, mas de sua posição relativa ao olho. A fórmula de conversão de distância vértice (F_efetivo = F / (1 - d*F)) mostra que o erro aumenta exponencialmente com o poder da lente. Além disso, a adaptação neurosensorial em altos míopes é muito sensível. Mudanças na magnificação (minificação, no caso da miopia) e no campo visual periférico podem causar intolerância. A técnica de sobrerrefração permite que o médico encontre o ajuste fino necessário partindo de um ponto de equilíbrio já aceito pelo paciente, garantindo maior sucesso na fidelidade da prescrição e conforto visual.
O uso dos óculos antigos para realizar a sobrerrefração (adicionar lentes sobre a armação do paciente) é a técnica padrão-ouro em altas ametropias. Isso ocorre porque a armação do paciente já possui uma distância vértice e uma inclinação pantoscópica específicas às quais ele está adaptado. Ao refratar sobre essa base, o médico elimina as variáveis matemáticas complexas de conversão de poder que ocorreriam se usasse apenas o refrator de greens.
A distância vértice é o espaço entre a face posterior da lente e o ápice da córnea. Em lentes negativas (míopes), quanto mais longe do olho a lente fica, menor é o seu poder efetivo na retina. Em prescrições acima de 4.00 dioptrias, pequenas mudanças nessa distância (ex: de 12mm para 14mm) exigem ajustes significativos no grau da lente para manter o mesmo foco.
A inclinação pantoscópica é o ângulo da armação em relação ao plano vertical da face. Quando uma lente esférica é inclinada, ela induz um astigmatismo oblíquo e altera ligeiramente o poder esférico. Em altos míopes, se a inclinação dos novos óculos for diferente da dos antigos, o paciente pode sentir desconforto visual ou distorção, mesmo que o grau esférico nominal seja o mesmo.
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