FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Nuligesta com 32 anos foi no ambulatório de ginecologia queixando-se de algo estranho na vagina associada ao aumento na freqüência, urgência e urge-incontinância urinária. Ao exame ginecológico, observam-se os seguintes pontos de POP-Q (Classificação de prolapso genital): Aa: - 3, Ba: - 3, C: +1, Ap: - 3, Bp: - 3, D: - 4. Colo sem alterações visíveis e ao toque não se identifica massas pélvicas. Frente a esse quadro, qual a hipótese diagnóstica e a conduta ?
POP-Q C > D em nuligesta + sintomas → Alongamento hipertrófico do colo. Tto: Cirurgia de Manchester.
A discrepância entre o ponto C (+1, colo prolapsado) e o ponto D (-4, fundo de saco posterior elevado) em uma paciente nuligesta com sintomas de prolapso sugere alongamento hipertrófico do colo uterino. A cirurgia de Manchester é a técnica de escolha para preservar o útero nesses casos.
O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum que afeta a qualidade de vida das mulheres, mas o alongamento hipertrófico do colo uterino é uma forma específica de prolapso que merece atenção, especialmente em pacientes nulíparas. Essa condição ocorre quando o colo uterino se alonga e se exterioriza, mesmo com o corpo uterino ainda bem posicionado na pelve. A classificação POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é a ferramenta padrão para o diagnóstico e quantificação do prolapso, permitindo uma avaliação objetiva dos compartimentos vaginais. A fisiopatologia do alongamento cervical não está totalmente esclarecida, mas acredita-se que fatores genéticos e alterações no tecido conjuntivo possam contribuir, mesmo na ausência de partos vaginais. O diagnóstico é feito pelo exame físico, com destaque para os pontos C e D do POP-Q. Quando o ponto C (colo/cúpula) está mais avançado que o ponto D (fundo de saco posterior), e o útero não está totalmente prolapsado, o alongamento cervical deve ser considerado. Os sintomas incluem sensação de peso vaginal, dispareunia e disfunções urinárias ou intestinais. O tratamento do alongamento hipertrófico do colo uterino é cirúrgico, sendo a cirurgia de Manchester (ou cervicopexia) a técnica de escolha para pacientes que desejam preservar o útero. Este procedimento envolve a amputação do colo alongado e a plicatura dos ligamentos cardinais e uterosacros para fornecer suporte. Em casos onde a preservação uterina não é uma prioridade, a histerectomia vaginal pode ser uma opção. A escolha da conduta deve ser individualizada, considerando a idade da paciente, desejo de gestação e gravidade dos sintomas.
No alongamento cervical, o ponto C (colo/cúpula) está mais prolapsado que o ponto D (fundo de saco posterior), indicando que o colo é o principal componente que se exterioriza. No prolapso uterino verdadeiro, C e D geralmente se movem juntos.
A cirurgia de Manchester envolve a amputação do colo uterino alongado, plicatura dos ligamentos cardinais e uterosacros (parametropexia) e, frequentemente, colpoperineoplastia. O objetivo é corrigir o prolapso preservando o útero.
Os sintomas são semelhantes aos de outros prolapsos, incluindo sensação de peso ou 'bola' na vagina, sintomas urinários (frequência, urgência, incontinência) e, ocasionalmente, dor lombar ou dispareunia.
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