Reanimação Neonatal: Manejo da Bradicardia Persistente

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Gestação de 36 semanas evoluiu com trabalho de parto. Após amniorrexe espontânea foi observado hemoâmnio e indicado parto cesárea. Recém-nascido (RN) trazido ao berço devido hipotonia e apneia. Após os passos iniciais foi realizada ventilação com balão e máscara com ar ambiente por 30 segundos e com oxigênio titulado até 60%, além de revisada a técnica de ventilação. Como não houve melhora da frequência cardíaca e da respiração, optou-se por intubação orotraqueal. Após 30 segundos, foi revisada a técnica de ventilação e confirmada a posição correta da cânula, entretanto o RN permanecia em apneia e com frequência cardíaca de 50 bpm. Segundo as recomendações atuais, assinale a conduta imediata mais adequada.

Alternativas

  1. A) Iniciar massagem cardíaca sincronizada com ventilação, com FiO₂ de 100%, por 60 segundos.
  2. B) Aumentar a FiO₂ para 100% e realizar 40 a 60 ventilações por minuto por mais 30 segundos.
  3. C) Aguardar a leitura da oximetria de pulso para reavaliar a frequência cardíaca.
  4. D) Administrar adrenalina endovenosa na dose de 0,01 mg/kg.

Pérola Clínica

RN em apneia + FC < 60 bpm APÓS VPP e IOT eficaz → Iniciar massagem cardíaca + FiO₂ 100%.

Resumo-Chave

Após ventilação com pressão positiva (VPP) e intubação orotraqueal (IOT) com técnica revisada e confirmada, se o recém-nascido ainda apresenta apneia e frequência cardíaca (FC) < 60 bpm, a próxima conduta imediata é iniciar a massagem cardíaca sincronizada com ventilação, utilizando FiO₂ de 100%.

Contexto Educacional

A reanimação neonatal é uma sequência de ações padronizadas e rápidas para auxiliar recém-nascidos que não iniciam a respiração espontaneamente ou apresentam bradicardia. O algoritmo é baseado na avaliação contínua da frequência cardíaca e da respiração, com intervenções progressivas que visam otimizar a oxigenação e a ventilação. Após os passos iniciais (aquecimento, posicionamento, aspiração se necessário, secagem e estímulo), a ventilação com pressão positiva (VPP) é a intervenção mais crítica. Se a bradicardia (FC < 100 bpm) persistir após VPP adequada, a intubação orotraqueal é indicada para garantir uma ventilação eficaz. Se, mesmo após a intubação e a confirmação da ventilação adequada, a frequência cardíaca permanecer abaixo de 60 bpm, a próxima etapa é iniciar a massagem cardíaca sincronizada com a ventilação, utilizando FiO₂ de 100%. A adrenalina é reservada para casos em que a bradicardia persiste após 30-60 segundos de massagem cardíaca e ventilação eficazes.

Perguntas Frequentes

Quando a massagem cardíaca é indicada na reanimação neonatal?

A massagem cardíaca é indicada na reanimação neonatal quando a frequência cardíaca do recém-nascido permanece abaixo de 60 batimentos por minuto, apesar de 30 segundos de ventilação com pressão positiva (VPP) eficaz e, se necessário, intubação orotraqueal com técnica correta.

Qual a relação entre ventilação e massagem cardíaca na reanimação neonatal?

A ventilação é a medida mais eficaz na reanimação neonatal. A massagem cardíaca deve ser sincronizada com a ventilação, com uma relação de 3 compressões para 1 ventilação, totalizando 90 compressões e 30 ventilações por minuto.

Em que momento a adrenalina é administrada na reanimação neonatal?

A adrenalina é administrada se a frequência cardíaca persistir abaixo de 60 bpm após 30-60 segundos de ventilação com pressão positiva e massagem cardíaca eficazes. A via preferencial é endovenosa (umbilical), na dose de 0,01 a 0,03 mg/kg.

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