APLV Não IgE Mediada: Sangue nas Fezes em Lactentes

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menino, 45 dias de vida, há 15 dias apresenta eliminação de fezes com raios de sangue em todas as evacuações. Evacua de 6 a 8 vezes ao dia desde o nascimento e não houve mudança na frequência ou consistência das fezes. Recebe fórmula láctea de partida desde a segunda semana de vida. Não apresenta outros sintomas e não tem alterações ao exame físico. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é o mecanismo fisiopatológico envolvido?

Alternativas

  1. A) Reação mediada por IgE
  2. B) Reação não mediada por IgE
  3. C) Deficiência de lactase
  4. D) Reação mista

Pérola Clínica

Lactente < 6 meses com sangue nas fezes + fórmula láctea + bom estado geral → APLV não IgE mediada (proctocolite).

Resumo-Chave

A proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar é a manifestação mais comum de APLV não IgE mediada em lactentes jovens. Caracteriza-se por sangramento retal indolor em um bebê saudável, geralmente após a introdução de fórmula láctea ou proteínas do leite materno.

Contexto Educacional

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. As reações podem ser mediadas por IgE, não mediadas por IgE ou mistas. A forma não IgE mediada, como a proctocolite alérgica, é particularmente relevante para residentes, pois sua apresentação clínica pode ser sutil e o diagnóstico depende da suspeita clínica e da resposta à dieta de exclusão. A fisiopatologia da APLV não IgE mediada envolve uma resposta inflamatória local no trato gastrointestinal, predominantemente mediada por células T, e não por anticorpos IgE. Isso resulta em inflamação da mucosa intestinal, levando a sangramento. O diagnóstico é clínico, baseado na melhora dos sintomas com a exclusão da proteína do leite de vaca e recorrência com a reintrodução. Testes alérgicos cutâneos ou dosagem de IgE específica geralmente são negativos. O tratamento consiste na exclusão da proteína do leite de vaca da dieta. Em lactentes amamentados, a mãe deve seguir uma dieta de exclusão. Para lactentes em fórmula, deve-se utilizar uma fórmula extensamente hidrolisada ou, em casos mais graves, uma fórmula de aminoácidos. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças desenvolvendo tolerância até os 3-5 anos de idade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de APLV não IgE mediada em lactentes?

Os sinais incluem sangue nas fezes (raios ou pontos), geralmente sem outros sintomas significativos, em lactentes que recebem fórmula ou são amamentados. O bebê geralmente está em bom estado geral.

Qual a conduta inicial para suspeita de APLV não IgE mediada?

A conduta inicial é a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta do lactente (fórmula extensamente hidrolisada ou exclusão pela mãe em aleitamento materno). A melhora clínica confirma o diagnóstico.

Como diferenciar APLV não IgE mediada de outras causas de sangramento retal?

A APLV não IgE mediada geralmente se apresenta com sangramento leve e bom estado geral. Outras causas, como fissura anal, infecções ou invaginação intestinal, podem ter dor, febre, vômitos ou alteração do estado geral.

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