UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Lactente de 3 meses, com história de uso de fórmula infantil nas primeiras horas de vida por hipoglicemia, está em aleitamento materno exclusivo desde o quarto dia de vida. Apresenta evacuações com raias de sangue nas fezes e eczema em face e no couro cabeludo há 30 dias. Não recebeu o resultado do teste do pezinho até o presente momento. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com crescimento pôndero-estatural, desenvolvimento neuropsicomotor compatível com idade e imunizações em dia. O possível diagnóstico e a conduta adequada para o caso, respectivamente, são:
Lactente com sangue nas fezes + eczema + exposição a PLV (mesmo indireta) → APLV. Conduta: Dieta de exclusão materna.
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, manifestando-se com sintomas gastrointestinais (sangue nas fezes, vômitos, diarreia) e/ou cutâneos (eczema, urticária). A exposição, mesmo que mínima, à proteína do leite de vaca (PLV) através da dieta materna ou de fórmulas pode desencadear os sintomas.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais prevalentes na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas presentes no leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde reações imediatas mediadas por IgE (urticária, angioedema, anafilaxia) até reações tardias não mediadas por IgE (proctocolite alérgica, enteropatia, eczema). O caso clínico descreve um lactente com sangue nas fezes e eczema, sintomas clássicos de APLV não mediada por IgE. A fisiopatologia da APLV envolve uma resposta imunológica anormal às proteínas do leite de vaca, como caseína e proteínas do soro (alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina). Mesmo em aleitamento materno exclusivo, o lactente pode ser exposto a pequenas quantidades dessas proteínas que são transferidas da dieta materna para o leite materno. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição à PLV e na melhora dos sintomas com a dieta de exclusão, seguida de um teste de provocação oral para confirmação. A conduta para APLV em lactentes amamentados é a dieta de exclusão rigorosa de todas as fontes de proteína do leite de vaca da dieta materna. A mãe deve ser orientada sobre a leitura de rótulos e a substituição de alimentos. A amamentação deve ser mantida, pois o leite materno é o melhor alimento e a exclusão da PLV da dieta materna geralmente é suficiente para controlar os sintomas. Em casos de não resposta à dieta materna, pode-se considerar fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos, mas a prioridade é manter o aleitamento materno.
Os sintomas da APLV podem ser gastrointestinais (sangue nas fezes, diarreia, vômitos, cólicas), cutâneos (eczema, urticária, angioedema) ou respiratórios (chiado, tosse).
O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na melhora dos sintomas após a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta materna e na recorrência dos sintomas após a reintrodução (teste de provocação oral).
A conduta inicial é a dieta de exclusão de todas as fontes de proteína do leite de vaca (e derivados) da dieta da mãe. Se não houver melhora, outras proteínas (como soja ou ovos) podem ser consideradas para exclusão.
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