APLV vs. Intolerância à Lactose: Diferenciais em Lactentes

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015

Enunciado

A mãe de um lactente de sete meses de idade queixa-se de que, desde que, há cerca de um mês, iniciou a alimentação complementar ao aleitamento materno - papa de frutas e legumes, e leite de vaca - a criança passou a apresentar vômitos e diarreia com rajas de sangue. No exame físico, o médico observou peso/idade no escore Z - 1; bom estado geral, hidratado, corado e eritema descamativo em couro cabeludo e face. Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o próximo item: O diagnóstico clínico provável para o lactente em questão é intolerância à lactose.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Lactente com vômitos, diarreia sanguinolenta e dermatite após introdução de leite de vaca → APLV, não intolerância à lactose.

Resumo-Chave

O quadro de vômitos e diarreia com rajas de sangue, associado a eritema descamativo (sugestivo de dermatite atópica) após a introdução de leite de vaca, é altamente compatível com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), especialmente a forma não IgE mediada (proctocolite alérgica), e não intolerância à lactose.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode ser mediada por IgE, não mediada por IgE ou mista. A APLV é uma condição importante a ser reconhecida, pois pode impactar o crescimento e desenvolvimento da criança. A fisiopatologia da APLV envolve a sensibilização do sistema imunológico às proteínas do leite, como caseína e proteínas do soro. As manifestações clínicas são diversas, incluindo sintomas gastrointestinais (vômitos, diarreia, sangue nas fezes, cólicas), cutâneos (urticária, angioedema, dermatite atópica) e respiratórios. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e sintomas, e confirmado por dieta de exclusão e teste de provocação oral. O tratamento consiste na exclusão rigorosa do leite de vaca e seus derivados da dieta. Para lactentes amamentados, a mãe deve seguir uma dieta de exclusão. Para lactentes em fórmula, são indicadas fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos. A maioria das crianças supera a APLV até os 5 anos de idade, mas o acompanhamento nutricional é fundamental para garantir o adequado crescimento e desenvolvimento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) em lactentes?

A APLV pode apresentar sintomas gastrointestinais (vômitos, diarreia com ou sem sangue, cólicas), cutâneos (urticária, dermatite atópica) e respiratórios (chiado, rinite), variando conforme o mecanismo imunológico envolvido (IgE mediado ou não IgE mediado).

Como diferenciar APLV de intolerância à lactose em lactentes?

A APLV envolve uma resposta imunológica às proteínas do leite, podendo causar sintomas mais graves como diarreia sanguinolenta e reações cutâneas. A intolerância à lactose é uma deficiência enzimática, resultando em diarreia aquosa, flatulência e cólicas, sem envolvimento imunológico ou sangue nas fezes.

Qual a conduta inicial para suspeita de APLV em lactentes?

A conduta inicial é a exclusão completa do leite de vaca e seus derivados da dieta do lactente e, se amamentado, da dieta da mãe. A melhora dos sintomas após a exclusão e o retorno dos sintomas após a reintrodução (teste de provocação) confirmam o diagnóstico.

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