APLV em Lactentes: Diagnóstico e Manejo da Proctocolite

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Lactente, 60 dias de vida, alimentado com fórmula infantil com proteínas integras do leite de vaca, apresenta fezes amolecidas com sangue, diariamente, desde 45 dias de vida, sem febre, vômitos ou diminuição da ingestão alimentar. Exame físico: bom estado geral, corado, hidratado e com crescimento adequado. Qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Substituição completa da dieta por fórmula com proteínas parcialmente hidrolisadas com proteína isolada de soja.
  2. B) Antibioticoterapia com sulfametoxazol-trimetropin ou ceftriaxona.
  3. C) Colonoscopia para definição do diagnóstico antes de iniciar o tratamento.
  4. D) Substituição completa da dieta por fórmula com proteínas extensamente hidrolisadas.

Pérola Clínica

Lactente com fezes sanguinolentas + fórmula integral → suspeitar APLV, iniciar fórmula extensamente hidrolisada.

Resumo-Chave

Lactentes alimentados com fórmula de leite de vaca que apresentam fezes com sangue, sem outros sinais de gravidade, frequentemente têm proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar, sendo a APLV a causa mais comum. A conduta inicial é a exclusão da proteína do leite de vaca, substituindo a fórmula por uma extensamente hidrolisada.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde sintomas gastrointestinais leves a anafilaxia grave. A proctocolite alérgica, caracterizada por fezes amolecidas com sangue e muco, é uma apresentação comum em lactentes, geralmente de bom estado geral e com bom crescimento. O diagnóstico da APLV é primariamente clínico, baseado na melhora dos sintomas após a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta e na recorrência dos sintomas após a reintrodução (teste de provocação oral), se necessário. Exames complementares como IgE específica podem ser úteis em alguns casos, mas não são diagnósticos para todas as formas de APLV. O tratamento consiste na exclusão completa e rigorosa da proteína do leite de vaca da dieta. Para lactentes alimentados com fórmula, a substituição por uma fórmula extensamente hidrolisada é a primeira escolha. Fórmulas de aminoácidos são reservadas para casos mais graves ou refratários. Fórmulas de soja não são recomendadas como primeira opção devido ao risco de reatividade cruzada. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças desenvolvendo tolerância até os 5 anos de idade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de APLV em lactentes alimentados com fórmula?

Os sinais de APLV em lactentes podem variar, mas frequentemente incluem sintomas gastrointestinais como fezes com sangue ou muco, diarreia, vômitos, cólicas intensas, e também manifestações cutâneas (dermatite atópica) ou respiratórias (chiado).

Qual a conduta inicial para suspeita de APLV em lactentes?

A conduta inicial para suspeita de APLV em lactentes é a exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta. Se o lactente usa fórmula, deve-se substituí-la por uma fórmula extensamente hidrolisada. Em mães que amamentam, a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta materna é necessária.

Por que a fórmula extensamente hidrolisada é preferível à de soja na APLV?

A fórmula extensamente hidrolisada tem as proteínas do leite de vaca quebradas em peptídeos muito pequenos, reduzindo drasticamente a alergenicidade. Fórmulas de soja podem causar reação cruzada em até 50% dos lactentes com APLV, e as parcialmente hidrolisadas ainda contêm peptídeos grandes o suficiente para desencadear reações.

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