USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Lactente de três meses de idade atendido em unidade de saúde apresentava estrias de sangue e muco nas fezes havia dez dias. Na consulta, a mãe relatou que a criança não manifestou vômitos nem febre e que estava recebendo fórmula infantil polimérica de partida, havia cerca de trinta dias, como única fonte de dieta, devido à contraindicação ao aleitamento materno por doença da mãe.Ao exame físico, a criança estava em bom estado geral, corada, hidratada. Ganho ponderal de 25 gramas/dia nos últimos trinta dias antes da consulta.A respeito do caso clínico precedente, assinale a alternativa mais correta.
Sangue/muco nas fezes em lactente com bom estado geral → suspeitar APLV não-IgE mediada, mesmo em AME.
A proctocolite alérgica por APLV não-IgE mediada é uma causa comum de sangramento retal em lactentes, mesmo em aleitamento materno exclusivo, e geralmente cursa com bom estado geral e ganho ponderal adequado. O diagnóstico é clínico e o tratamento é a dieta de exclusão.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, com diversas manifestações clínicas. A forma não-IgE mediada, como a proctocolite alérgica, é caracterizada por sintomas gastrointestinais, como estrias de sangue e muco nas fezes, geralmente sem comprometimento do estado geral ou do ganho ponderal. É crucial para o residente reconhecer essa condição para evitar investigações desnecessárias e iniciar o manejo adequado. A fisiopatologia da APLV não-IgE mediada envolve uma resposta imune celular às proteínas do leite de vaca, diferentemente da forma IgE mediada, que cursa com reações mais agudas e sistêmicas. O diagnóstico é clínico, baseado na exclusão e reintrodução das proteínas do leite de vaca, não sendo útil o prick test ou a dosagem de IgE específica. A deficiência primária de lactase é rara em lactentes e cursa com diarreia aquosa e distensão abdominal, sem sangue nas fezes. O tratamento consiste na dieta de exclusão do leite de vaca e seus derivados. Se a criança estiver em aleitamento materno, a mãe deve seguir a dieta de exclusão. Se em fórmula, deve-se usar uma fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos. A maioria das crianças com APLV não-IgE mediada desenvolve tolerância até os 1-2 anos de idade, tornando o prognóstico geralmente favorável.
Os sinais mais comuns incluem estrias de sangue e muco nas fezes, sem outros sintomas sistêmicos como vômitos ou febre, e bom estado geral e ganho ponderal.
A conduta inicial é a dieta de exclusão do leite de vaca e seus derivados, tanto da dieta da mãe (se amamentando) quanto da fórmula (se em uso).
Sim, a APLV pode ocorrer em bebês em aleitamento materno exclusivo devido à passagem de proteínas do leite de vaca da dieta materna para o leite materno.
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