Diagnóstico de APLV: Guia Prático para Médicos e Residentes

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma lactente de 4 meses apresenta vômitos, diarreia com sangue e cólicas intensas após a introdução do leite de vaca ao seu aleitamento materno. Qual a conduta diagnóstica mais adequada para confirmar o diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) nesse caso?

Alternativas

  1. A) Dosagem de IgE específica para proteína do leite de vaca e teste cutâneo.
  2. B) Eliminação do leite de vaca da dieta por 4 semanas e reintrodução para confirmação diagnóstica.
  3. C) Biópsia intestinal para pesquisa de eosinófilos.
  4. D) Teste de provocação oral com leite de vaca.
  5. E) Dosagem de calprotectina fecal.

Pérola Clínica

Suspeita de APLV → Dieta de exclusão (2-4 sem) + Teste de Provocação Oral (TPO).

Resumo-Chave

O diagnóstico de APLV é essencialmente clínico, baseado na melhora dos sintomas após a retirada da proteína e recorrência após a reintrodução controlada.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum na infância. Ela se divide em mecanismos IgE mediados, não-IgE mediados e mistos. O quadro clínico de vômitos e diarreia com sangue em lactentes jovens é altamente sugestivo de proctocolite alérgica. O manejo correto evita restrições dietéticas desnecessárias e garante o crescimento adequado da criança. É fundamental orientar a família sobre a leitura de rótulos e o risco de contaminação cruzada, além de planejar o TPO em ambiente seguro, especialmente se houver risco de anafilaxia.

Perguntas Frequentes

Qual o padrão-ouro para o diagnóstico de APLV?

O padrão-ouro para o diagnóstico de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é o Teste de Provocação Oral (TPO) realizado após um período de dieta de exclusão. Inicialmente, retira-se toda a proteína do leite de vaca da dieta da criança (ou da mãe, se em aleitamento exclusivo) por 2 a 4 semanas. Se houver melhora clínica, procede-se à reintrodução da proteína (TPO) sob supervisão médica. A confirmação diagnóstica ocorre se os sintomas reaparecerem durante ou logo após a reintrodução.

Exames de sangue (IgE) são necessários para diagnosticar APLV?

A dosagem de IgE específica e o Teste Cutâneo (Prick Test) são úteis apenas para identificar reações IgE mediadas (urticária, anafilaxia, angioedema). No entanto, muitas manifestações gastrointestinais da APLV, como a proctocolite alérgica (diarreia com sangue em lactentes), são não-IgE mediadas. Nesses casos, os exames laboratoriais serão normais, e o diagnóstico dependerá exclusivamente da resposta clínica à dieta de exclusão e ao TPO.

Quanto tempo deve durar a dieta de exclusão?

Para sintomas gastrointestinais crônicos, recomenda-se um período de exclusão de 2 a 4 semanas. Em casos de proctocolite alérgica, a melhora do sangramento costuma ocorrer em poucos dias, mas a normalização completa da mucosa intestinal pode levar mais tempo. Se após 4 semanas de exclusão rigorosa não houver melhora dos sintomas, o diagnóstico de APLV torna-se improvável e outras causas devem ser investigadas.

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