INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um lactente com quatro meses de idade nasceu a termo com peso de 3 Kg. Desde o nascimento, faz uso de leite materno complementado com fórmula láctea. Atualmente pesa 5,5 kg. Há um mês iniciou quadro de diarreia, com seis evacuações ao dia e raios de sangue e fezes não explosivas. No exame físico foi observado que a criança estava em bom estado geral, bem nutrida, hidratada e que não havia hiperemia perianal. Nesse caso, a conduta indicada é:
Lactente estável + Sangue nas fezes + Uso de fórmula → Suspender fórmula e priorizar aleitamento exclusivo.
A proctocolite alérgica por proteína do leite de vaca é a principal causa de sangue nas fezes em lactentes saudáveis; o manejo inicial foca na exclusão da proteína da dieta do bebê.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum na infância. A proctocolite alérgica é uma forma não-IgE mediada de APLV, caracterizada por uma resposta inflamatória no cólon distal. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na melhora dos sintomas após a retirada da proteína e, se necessário, no teste de provocação oral posterior. No caso de lactentes em regime misto (peito + fórmula), a conduta mais conservadora e benéfica é a tentativa de retorno ao aleitamento materno exclusivo. Isso elimina a carga proteica maciça da fórmula industrializada. É fundamental tranquilizar os pais sobre o bom prognóstico da condição, que geralmente se resolve espontaneamente até o primeiro ou segundo ano de vida, à medida que a barreira intestinal amadurece e a tolerância imunológica é estabelecida.
A proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar (frequentemente leite de vaca ou soja) manifesta-se tipicamente em lactentes nos primeiros meses de vida que apresentam bom estado geral, ganho de peso adequado, mas com presença de estrias de sangue e muco nas fezes (hematoquezia). Diferencia-se de infecções por não apresentar febre ou toxemia, e de alergias IgE mediadas por não ter sintomas cutâneos ou respiratórios imediatos.
O leite materno é o padrão-ouro nutricional e contém fatores imunológicos protetores. Se o lactente recebe fórmula complementar e apresenta sintomas, a primeira intervenção é retirar a fórmula (fonte direta de PLV) e retornar ao aleitamento materno exclusivo. Se os sintomas persistirem mesmo em aleitamento exclusivo, a mãe deve iniciar uma dieta de exclusão de produtos lácteos, pois proteínas intactas do leite podem passar pelo leite materno.
Fórmulas de hidrolisado proteico ou de aminoácidos são indicadas apenas quando o aleitamento materno não é possível ou quando a dieta de exclusão materna rigorosa não resolve os sintomas do lactente. A soja não é recomendada como primeira linha para menores de 6 meses devido à alta taxa de sensibilidade cruzada e presença de isoflavonas.
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