PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022
Menina, 2 meses de idade, nascida a termo com peso: 3.200g e comprimento: 49cm, usando apenas leite materno, sugando adequadamente, é levada à UBS com relato de cólicas e diarreia, além de regurgitações esparsas. Ao exame, peso: 4.000g; comprimento: 54cm. Está ativa, em bom estado geral, hidratada, eupneica, afebril, corada. Observam-se apenas manchas avermelhadas na pele, principalmente em face e dobras. A mãe informa que ficam mais claras após o banho.A conduta terapêutica imediata, mais adequada, no caso descrito, é:
Lactente amamentado com cólicas, diarreia, regurgitação e lesões cutâneas → suspeitar APLV → dieta de exclusão materna.
Os sintomas gastrointestinais e cutâneos em um lactente em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal, são altamente sugestivos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). A conduta inicial mais adequada é a dieta de exclusão de leite e derivados pela mãe, mantendo o aleitamento materno, que é a melhor fonte de nutrição para o bebê.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma condição imunomediada que ocorre após a ingestão de proteínas do leite de vaca, podendo se manifestar de diversas formas clínicas. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para o bem-estar do bebê e da família, sendo um tema frequente em provas de residência e na prática pediátrica. A fisiopatologia envolve uma resposta imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que podem ser transferidas para o bebê através do leite materno. As manifestações clínicas variam desde sintomas leves e tardios (como cólicas, diarreia, dermatite) até reações graves e imediatas (anafilaxia). O diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas, e confirmado pela melhora com a dieta de exclusão e, em alguns casos, pelo teste de provocação oral. O tratamento de primeira linha para lactentes amamentados com APLV é a dieta de exclusão de leite e derivados pela mãe, mantendo o aleitamento materno. Se a mãe não puder ou não quiser seguir a dieta, ou em casos de APLV grave, fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos são indicadas. O acompanhamento nutricional da mãe e do bebê é fundamental para garantir o aporte adequado de nutrientes e monitorar a evolução do quadro.
Os sintomas de APLV em lactentes amamentados podem ser variados, incluindo manifestações gastrointestinais como cólicas intensas, diarreia (com ou sem sangue), regurgitações frequentes e vômitos. Manifestações cutâneas como dermatite atópica (manchas avermelhadas, ressecamento) e respiratórias (chiado, tosse) também são comuns.
A dieta de exclusão materna consiste na retirada completa de leite de vaca e todos os seus derivados (queijo, iogurte, manteiga, produtos com caseína, soro de leite, etc.) da alimentação da mãe. É importante ler rótulos e, em alguns casos, suplementar cálcio e vitamina D para a mãe.
A substituição do leite materno por fórmulas especiais (extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos) só deve ser considerada se a dieta de exclusão materna não for eficaz após um período adequado (geralmente 2-4 semanas) ou se houver falha de crescimento do lactente, ou ainda em casos de APLV grave com risco de vida.
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