HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021
Lactente 08 meses, aleitamento misto com Ninho (SIC) e leite materno, admitido por GECA, sem febre, desidratado, com assaduras genitais devido a intensidade da diarréia, além de franca distensão abdominal e discreto eritema cutâneo difuso. Histórico de broncoespasmo com visita ao PSI por 4 vezes. Após ser transferido para a enfermaria, no terceiro dia de internamento hospitalar, observa-se manutenção da diarréia, mesmo com uso de antimicrobiano, probiótico e Zinco. Mãe extremamente reativa, refere que a cada dia a criança tem dejeções mais aquosas e fétidas, com rachas de sangue, mas sem muco. Identifique a assertiva que menos se adequa ao caso apresentado:
Lactente com GECA refratária, broncoespasmo, eritema cutâneo, diarreia sanguinolenta → suspeitar APLV.
A persistência da diarreia, mesmo com antimicrobiano, probiótico e zinco, associada a sintomas alérgicos (broncoespasmo, eritema cutâneo) e a introdução de leite de vaca (Ninho), sugere fortemente Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), e não uma GECA bacteriana refratária.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. Sua apresentação clínica é variada, podendo envolver o trato gastrointestinal, pele e sistema respiratório. É crucial para o residente reconhecer os sinais e sintomas que fogem ao padrão de uma gastroenterocolite aguda (GECA) comum, especialmente quando há persistência da diarreia e histórico de exposição ao leite de vaca. No caso apresentado, a manutenção da diarreia apesar do tratamento para GECA bacteriana, a presença de broncoespasmo e eritema cutâneo difuso, e a introdução de leite de vaca (Ninho) em um lactente de 8 meses, são fortes indicativos de APLV. A diarreia com rachas de sangue sem muco também é um achado comum na enterocolite alérgica. A assertiva que menos se adequa é a que insiste em GECA bacteriana refratária, pois a etiologia alérgica é muito mais provável e exige uma abordagem dietética. O manejo da APLV envolve a exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta da criança e, se a mãe estiver amamentando, da dieta materna. Probióticos e zinco são úteis para a recuperação da mucosa intestinal, mas não tratam a causa alérgica. O leite de soja pode ser uma alternativa após os 6 meses, mas com cautela devido ao risco de reatividade cruzada. A melhora com a exclusão do leite de vaca é o principal critério diagnóstico e terapêutico.
A APLV pode se manifestar com sintomas gastrointestinais (diarreia persistente, sangue nas fezes, vômitos, distensão abdominal), cutâneos (eritema, urticária, eczema) e respiratórios (broncoespasmo, rinite). A associação de sintomas de múltiplos sistemas é altamente sugestiva.
O diagnóstico de APLV é clínico, baseado na exclusão do leite de vaca da dieta e na posterior melhora dos sintomas. Em alguns casos, pode-se realizar um teste de provocação oral sob supervisão médica para confirmar, mas a resposta à dieta de exclusão é o pilar.
O leite de soja não é recomendado para lactentes menores de 6 meses com APLV devido ao alto risco de reatividade cruzada (cerca de 30-50%). Após os 6 meses, pode ser considerado, mas fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos são geralmente as primeiras opções.
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