FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Lactente de 2 meses, em aleitamento materno exclusivo, procura atendimento com relato de diarréia com raios de sangue nas fezes há 1 mês e lesões eritemato crostosas associadas. Segundo a mãe, lactente recebeu complemento com fórmula infantil no 1º dia de vida na maternidade por dificuldade de amamentação. Ao exame físico encontra-se corado, hidratado em com ganho de peso adequado. Qual a conduta mais adequada a esse paciente:
APLV em lactente amamentado → dieta de exclusão de PLV para a mãe, mantendo aleitamento.
A presença de diarreia com raios de sangue e lesões cutâneas em um lactente em aleitamento materno exclusivo, com história de exposição precoce à fórmula, sugere APLV. A conduta inicial é a dieta de exclusão de proteína do leite de vaca pela mãe, mantendo o aleitamento, que é a melhor fonte de nutrição.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas clínicas. A história de exposição precoce à fórmula infantil, mesmo que em pequena quantidade, pode sensibilizar o lactente e desencadear sintomas quando há nova exposição via leite materno ou fórmula. O diagnóstico da APLV é essencialmente clínico, baseado na melhora dos sintomas com a exclusão da proteína do leite de vaca e recorrência com a reintrodução. Em lactentes em aleitamento materno exclusivo, a suspeita surge com sintomas como diarreia com sangue, lesões cutâneas ou irritabilidade. É fundamental não confundir com outras causas de sangramento gastrointestinal ou dermatites. O tratamento de primeira linha para APLV em lactentes amamentados é a dieta de exclusão de proteína do leite de vaca pela mãe, que deve ser orientada por um profissional de saúde para garantir a adequação nutricional materna. O aleitamento materno deve ser mantido, pois oferece inúmeros benefícios e a maioria dos lactentes com APLV tolera o leite materno após a dieta materna. A reintrodução da PLV deve ser feita sob supervisão médica, geralmente após 6 a 12 meses de exclusão.
Os sinais e sintomas de APLV em lactentes podem incluir manifestações gastrointestinais como diarreia com sangue, vômitos, cólicas intensas, e cutâneas como dermatite atópica ou lesões eritemato-crostosas, além de sintomas respiratórios menos comuns.
A dieta de exclusão materna é a primeira conduta porque as proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe podem ser transferidas para o leite materno, desencadeando a reação alérgica no bebê. Manter o aleitamento materno é crucial para a saúde do lactente.
O uso de fórmulas especiais (extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos) é considerado quando a dieta de exclusão materna não é suficiente para controlar os sintomas, em casos de falha de crescimento, ou quando o aleitamento materno não é possível.
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