APLV em Lactentes: Manejo com Fórmula Extensamente Hidrolisada

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente, do sexo feminino, 3 meses de idade, passou a apresentar sangramento vivo nas fezes 7 dias após a suspensão total do aleitamento materno e substituição por leite de vaca integral, adicionado de cereal infantil à base de arroz e aveia. Nasceu a termo, sem intercorrências no período perinatal. Está em bom estado geral, sem alterações ao exame clínico atual, pesando 5.830 g. Diante da impossibilidade de a paciente retornar ao aleitamento materno exclusivo, a primeira opção terapêutica, neste caso, será a substituição do leite atual por fórmula infantil à base de

Alternativas

  1. A) proteína de soja.
  2. B) proteína extensamente hidrolisada.
  3. C) aminoácidos livres.
  4. D) leite de vaca isento de lactose.

Pérola Clínica

Lactente com sangramento nas fezes pós-leite de vaca → suspeitar APLV; primeira opção terapêutica é fórmula extensamente hidrolisada.

Resumo-Chave

O sangramento vivo nas fezes em um lactente após a introdução de leite de vaca é altamente sugestivo de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), especificamente proctocolite alérgica. A primeira linha de tratamento, na impossibilidade de aleitamento materno exclusivo, é a substituição por uma fórmula extensamente hidrolisada, que possui proteínas do leite quebradas em peptídeos menores, reduzindo a alergenicidade.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde reações imediatas (IgE mediadas) até reações tardias (não IgE mediadas). A proctocolite alérgica induzida por alimentos, caracterizada por sangramento vivo nas fezes em lactentes, é uma apresentação comum da APLV não IgE mediada, especialmente após a introdução de fórmulas lácteas ou alimentos com leite. No caso descrito, a introdução de leite de vaca integral e cereais com aveia (que pode conter traços de glúten ou ser contaminada, embora o foco principal seja o leite) em um lactente de 3 meses, seguida por sangramento nas fezes, é altamente sugestiva de APLV. O diagnóstico é clínico e a conduta terapêutica é a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta. Na impossibilidade de aleitamento materno exclusivo, a primeira opção de tratamento é a substituição por uma fórmula infantil à base de proteína extensamente hidrolisada. As fórmulas extensamente hidrolisadas contêm peptídeos com peso molecular inferior a 3.000 Da, o que reduz significativamente sua alergenicidade e as torna seguras para a maioria dos lactentes com APLV. As fórmulas de aminoácidos livres são reservadas para casos mais graves ou para aqueles que não respondem às fórmulas extensamente hidrolisadas. É crucial evitar fórmulas de soja como primeira opção devido à alta taxa de reatividade cruzada e fórmulas isentas de lactose, pois a APLV não é uma intolerância à lactose.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) em lactentes?

Os sintomas da APLV são variados e podem incluir manifestações gastrointestinais (vômitos, diarreia, sangramento nas fezes), cutâneas (urticária, eczema) e respiratórias (sibilância, rinite). A proctocolite alérgica é uma forma comum com sangramento retal.

Por que a fórmula extensamente hidrolisada é a primeira escolha para APLV?

As fórmulas extensamente hidrolisadas contêm proteínas do leite de vaca que foram quebradas em peptídeos muito pequenos, tornando-as menos alergênicas e mais facilmente toleradas pela maioria dos lactentes com APLV. Elas são eficazes para a maioria dos casos de APLV não IgE mediada.

Quando considerar uma fórmula de aminoácidos livres para APLV?

Fórmulas de aminoácidos livres são indicadas para lactentes com APLV grave, reações anafiláticas, falha de crescimento com fórmulas extensamente hidrolisadas, ou em casos de APLV IgE mediada com reações graves, pois não contêm peptídeos alergênicos.

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