SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Lactente do sexo masculino, com 2 meses de vida, foi levado para consulta de puericultura em uma unidade básica de saúde. Sua mãe, muito aflita, referiu que o filho apresentava cólicas intensas, acompanhadas de vômitos frequentes e recusa de alimentos havia 30 dias, além de presença de sangue e muco nas fezes havia 10 dias, bem como eritema em topografia de região poplítea e fossa cubital. Trata-se de paciente em aleitamento materno exclusivo, e a mãe tem antecedente pessoal de asma e dermatite atópica na infância. Diante desse caso e da principal hipótese diagnóstica, a conduta a ser adotada é recomendar que a mãe
Lactente com suspeita de APLV em AM exclusivo → Mãe faz dieta de eliminação de leite de vaca por 2-4 semanas.
Diante de um lactente em aleitamento materno exclusivo com sintomas sugestivos de APLV (gastrointestinais, cutâneos, respiratórios), a primeira conduta é a dieta de eliminação de leite de vaca e derivados pela mãe, mantendo o aleitamento. A melhora clínica é o principal critério diagnóstico.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde sintomas leves até reações anafiláticas graves. A história familiar de atopia (asma, dermatite atópica, rinite alérgica) é um fator de risco importante, como observado no caso. O diagnóstico da APLV é essencialmente clínico. Em lactentes em aleitamento materno exclusivo, a suspeita surge com sintomas como cólicas intensas, vômitos, recusa alimentar, diarreia com sangue e muco, e lesões cutâneas como dermatite atópica. A fisiopatologia envolve uma resposta imunológica mediada por IgE ou não-IgE às proteínas do leite de vaca que atravessam a barreira intestinal materna e chegam ao leite materno, desencadeando a reação no bebê. A conduta inicial para APLV em lactentes amamentados é a manutenção do aleitamento materno, com a mãe iniciando uma dieta de eliminação rigorosa de leite de vaca e todos os seus derivados por 2 a 4 semanas. A melhora dos sintomas durante este período, seguida de recorrência ao reintroduzir o leite na dieta materna, confirma o diagnóstico. A suspensão do aleitamento materno e a introdução de fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos só são indicadas em casos refratários à dieta materna ou em situações de APLV grave com risco de vida.
Os sintomas de APLV em lactentes podem ser gastrointestinais (vômitos, diarreia, sangue/muco nas fezes, cólicas intensas, recusa alimentar), cutâneos (dermatite atópica, urticária, angioedema) ou respiratórios (sibilância, rinite), variando em gravidade e tipo de reação imunológica.
As proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe podem ser absorvidas e transferidas para o leite materno, desencadeando reações alérgicas no lactente sensível. A dieta de eliminação materna é o tratamento de primeira linha para evitar essa exposição e observar a melhora clínica.
A dieta de eliminação deve ser mantida por 2 a 4 semanas para observar a melhora dos sintomas do lactente. Após esse período, se houver melhora, um teste de provocação oral (reintrodução do leite na dieta materna) pode ser realizado para confirmar o diagnóstico.
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