APLV Não-IgE Mediada: Manejo em Lactentes com Sintomas

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Menina de 10 meses foi trazida à consulta por dor abdominal, diarreia e vômitos após ingestão de fórmula infantil com proteína do leite de vaca (PLV). Tinha história de dermatite atópica. Nascida de parto vaginal, apresentou índice de Apgar 8 e 9 no primeiro e quinto minutos respectivamente e escore Z peso/idade e estatura/idade entre 0 e +1. Durante os primeiros 6 meses de vida, esteve assintomática, em uso de leite materno exclusivo. Testes alérgicos para o leite de vaca (dosagem de IgE específica) foram negativos. Há 1 mês vinha em uso de fórmula infantil polimérica com PLV sem lactose, sem melhora. No momento, a conduta mais adequada é iniciar

Alternativas

  1. A) fórmula extensamente hidrolisada e suspender derivados de PLV.
  2. B) anti-histamínico e prednisolona.
  3. C) inibidor da bomba de prótons e procinéticos
  4. D) leite de cabra.

Pérola Clínica

APLV não-IgE mediada (IgE negativa, sintomas gastrointestinais) → Fórmula extensamente hidrolisada.

Resumo-Chave

Lactentes com sintomas gastrointestinais e dermatite atópica após ingestão de PLV, mesmo com IgE negativa, sugerem APLV não-IgE mediada. A conduta é a exclusão total da PLV e uso de fórmula extensamente hidrolisada, pois fórmulas sem lactose ainda contêm a proteína alergênica.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. Ela pode ser mediada por IgE (com reações imediatas e testes IgE positivos) ou não-IgE mediada (com reações tardias, principalmente gastrointestinais e cutâneas, e testes IgE negativos). O diagnóstico de APLV não-IgE mediada é clínico, baseado na melhora dos sintomas com a exclusão da PLV e recorrência com a reintrodução. No caso apresentado, a criança tem sintomas gastrointestinais e dermatite atópica após ingestão de PLV, com testes IgE negativos, o que é altamente sugestivo de APLV não-IgE mediada. A falta de melhora com fórmula sem lactose reforça o diagnóstico, pois essas fórmulas ainda contêm as proteínas alergênicas. A conduta mais adequada é a exclusão completa da PLV da dieta da criança e a introdução de uma fórmula extensamente hidrolisada, que possui proteínas do leite de vaca fragmentadas em peptídeos pequenos, minimizando a resposta alérgica. É crucial diferenciar APLV de intolerância à lactose, pois o manejo é distinto. O leite de cabra não é uma alternativa segura, devido à alta reatividade cruzada de suas proteínas com as do leite de vaca. Anti-histamínicos, prednisolona, inibidores da bomba de prótons e procinéticos não tratam a causa subjacente da APLV e são indicados para outras condições ou como tratamento sintomático em casos específicos, não como primeira linha para APLV.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da APLV não-IgE mediada em lactentes?

A APLV não-IgE mediada geralmente se manifesta com sintomas gastrointestinais como dor abdominal, diarreia (com ou sem sangue), vômitos, constipação e refluxo. Sintomas cutâneos como dermatite atópica também são comuns, e os testes de IgE específica são negativos.

Por que a fórmula extensamente hidrolisada é a conduta mais adequada para APLV não-IgE mediada?

As fórmulas extensamente hidrolisadas contêm proteínas do leite de vaca que foram quebradas em peptídeos menores, reduzindo significativamente sua alergenicidade. Isso as torna seguras e bem toleradas pela maioria dos lactentes com APLV, incluindo os casos não-IgE mediados.

Qual a diferença entre APLV e intolerância à lactose, e por que fórmulas sem lactose não resolvem a APLV?

APLV é uma reação imunológica às proteínas do leite, enquanto intolerância à lactose é a incapacidade de digerir o açúcar do leite (lactose). Fórmulas sem lactose removem a lactose, mas mantêm as proteínas do leite, sendo ineficazes para APLV. Para APLV, é necessária a exclusão das proteínas do leite.

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