APLV em Lactentes: Diagnóstico e Manejo no Aleitamento

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

Lactente, 2 meses de vida, em aleitamento materno exclusivo, apresentou quadro de sangramento vermelho vivo nas fezes e desconforto durante as evacuações. Após o segundo episódio de sangramento, foi orientado suspender da dieta materna produtos com leite de vaca e seus derivados. Não foram mais observados sangramento nas fezes após 24 horas do início da dieta materna. Apesar da melhora clínica, o médico orienta a necessidade do correto diagnóstico do quadro.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o procedimento para obter esse diagnóstico.

Alternativas

  1. A) Realizar prick teste no dorso do lactente com extrato de leite de vaca, soja e ovo.
  2. B) Reintroduzir leite de vaca e derivados na dieta materna entre 2 e 4 semanas.
  3. C) Orientar a mãe a introduzir pequenas quantidade de laticínios sem lactose e aumentar progressivamente conforme aspecto das fezes da criança.
  4. D) Solicitar IgE para leite de vaca, caseína e betalacglobulina para a mãe e para a criança.
  5. E) Suspender o aleitamento materno e iniciar fórmula com proteína extensamente hidrolisada.

Pérola Clínica

APLV em lactente amamentado → diagnóstico = dieta exclusão materna + teste provocação oral (reintrodução).

Resumo-Chave

O diagnóstico definitivo de APLV, mesmo após melhora com dieta de exclusão materna, requer a reintrodução do alérgeno (leite de vaca) para confirmar a relação causal entre a exposição e os sintomas. Isso é crucial para evitar dietas restritivas desnecessárias.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma condição imunomediada que ocorre após a ingestão de proteínas do leite de vaca, seja diretamente ou através do leite materno. A APLV pode se manifestar de diversas formas, desde sintomas gastrointestinais (sangramento nas fezes, diarreia, vômitos) até cutâneos (dermatite atópica) e respiratórios. Seu reconhecimento precoce e manejo adequado são fundamentais para o bem-estar do lactente e da família. O diagnóstico de APLV em lactentes amamentados inicia-se com a suspeita clínica baseada nos sintomas e na resposta a uma dieta de exclusão materna de leite de vaca e seus derivados. A melhora dos sintomas com a dieta de exclusão é um forte indicativo, mas não é diagnóstica por si só. Para a confirmação, é essencial realizar um teste de provocação oral, que consiste na reintrodução controlada do leite de vaca na dieta materna após um período de exclusão, observando o reaparecimento dos sintomas. Exames como IgE específica para leite de vaca podem auxiliar, mas não são definitivos para todas as formas de APLV (especialmente as não-IgE mediadas). O tratamento da APLV consiste na exclusão completa das proteínas do leite de vaca da dieta do lactente e, se amamentado, da dieta materna. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças desenvolvendo tolerância até os 5 anos de idade. É importante o acompanhamento nutricional para garantir a adequação da dieta materna e infantil, além de orientar sobre a leitura de rótulos e a prevenção de contaminação cruzada. A reintrodução deve ser sempre orientada por um profissional de saúde.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de APLV em lactentes amamentados?

Os sintomas de APLV em lactentes amamentados podem incluir sangramento nas fezes, desconforto abdominal, diarreia, vômitos, dermatite atópica e baixo ganho de peso.

Como é feito o diagnóstico de APLV em bebês que mamam no peito?

O diagnóstico de APLV em lactentes amamentados envolve uma dieta de exclusão de leite de vaca e derivados pela mãe, seguida por um teste de provocação oral com reintrodução do alérgeno para confirmar a relação.

Por que o teste de provocação oral é crucial no diagnóstico de APLV?

O teste de provocação oral é crucial para confirmar o diagnóstico de APLV, diferenciando-a de outras condições e evitando dietas restritivas prolongadas e desnecessárias que podem impactar a nutrição materna e infantil.

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