APLV em Lactentes: Diagnóstico e Manejo Inicial

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022

Enunciado

No consultório de gastropediatria, mãe relata que lactente com 2 meses de vida, em aleitamento materno exclusivo, evolui com regurgitações frequentes, cerca de 10 vezes por dia, associadas a irritabilidade e recusa do seio materno, há 3 semanas. Ganho de peso neste período de 10g/dia. Paciente nasceu de parto cesárea, a termo, sem intercorrências. Pai com história de asma na infância. Ao exame, o lactente apresentava-se choroso, abdome flácido, indolor a palpação superficial e profunda, com xerose cutânea disseminada, principalmente nas áreas de flexura de cotovelos e joelhos. Diante do caso, qual a conduta imediata a considerar:

Alternativas

  1. A) Iniciar IBP (Inibidor de Bomba de Prótons) durante 30 dias e reavaliar.
  2. B) Suspender aleitamento materno exclusivo e introduzir fórmula antirrefluxo.
  3. C) Orientar dieta materna sem leite de vaca e derivados por 3-4 semanas e programar o teste de provocação oral.
  4. D) Prescrever Domperidona 1mg/kg/dia durante 30 dias e reavaliar.
  5. E) Introduzir fórmula de aminoácidos.

Pérola Clínica

Lactente com RGE + sintomas atípicos (irritabilidade, dermatite, baixo ganho) → suspeitar APLV → dieta de exclusão materna.

Resumo-Chave

Em lactentes com regurgitações e sintomas como irritabilidade, recusa alimentar, baixo ganho ponderal e manifestações cutâneas (xerose/dermatite), a APLV deve ser considerada. A conduta inicial é a dieta de exclusão de leite de vaca e derivados pela mãe.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde sintomas gastrointestinais (regurgitações, vômitos, diarreia, constipação, sangramento retal) até cutâneos (dermatite atópica, urticária) e respiratórios. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em lactentes com sintomas atípicos de refluxo gastroesofágico. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por IgE ou não-IgE às proteínas do leite. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na melhora dos sintomas com a dieta de exclusão e sua recorrência com a reintrodução. Em lactentes em aleitamento materno exclusivo, a mãe deve seguir uma dieta rigorosa de exclusão de leite de vaca e derivados por 3-4 semanas. A xerose cutânea em flexuras, como descrito no caso, é um forte indicativo de dermatite atópica, frequentemente associada à APLV. O tratamento da APLV em lactentes amamentados consiste na dieta de exclusão materna. É crucial orientar a mãe sobre a leitura de rótulos e a necessidade de suplementação de cálcio e vitamina D. O teste de provocação oral, realizado em ambiente controlado, é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico após o período de exclusão e melhora dos sintomas, e para avaliar a tolerância futura.

Perguntas Frequentes

Quais sinais sugerem APLV em lactentes amamentados?

Além de regurgitações, irritabilidade, recusa do seio, baixo ganho de peso, e manifestações cutâneas como xerose ou dermatite atópica podem indicar APLV em lactentes em aleitamento materno.

Qual a conduta inicial para suspeita de APLV em lactente amamentado?

A conduta inicial é a dieta de exclusão de leite de vaca e derivados da dieta materna por 3-4 semanas. Se houver melhora, um teste de provocação oral pode ser programado.

Por que não iniciar IBP ou procinéticos em casos como este?

IBP e procinéticos tratam os sintomas do refluxo, mas não a causa subjacente, como a APLV. O uso precoce pode atrasar o diagnóstico e manejo adequado da alergia.

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