HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Menino, de 3 meses de idade, encontra-se em aleitamento materno e recebe complementação com fórmula láctea de partida. O pai da paciente relata que, há 2 semanas, observou por 5 vezes um pouco de sangue nas fezes quando foi realizar a troca de fralda. O pai nega tosse ou coriza, vômitos, febre ou outros sintomas associados. Ao exame físico, o paciente encontra-se em bom estado geral, sem alterações à ectoscopia. O exame cardiopulmonar está normal. O abdome está atípico, com fígado a 1,5cm do rebordo costal direito, ausência de dor à palpação. Ao colocar o peso e o comprimento do paciente na curva de peso para idade, você observa que o mesmo saiu do escore Z 0 para abaixo do escore Z -1. Considerando este caso, qual é a alternativa correta?
Lactente com hematoquezia + baixo ganho ponderal + uso de fórmula láctea → suspeitar APLV não IgE mediada. Conduta: dieta de exclusão materna e fórmula de aminoácidos.
O quadro clínico de sangramento nas fezes em lactente jovem, especialmente com baixo ganho ponderal e uso de fórmula láctea, é altamente sugestivo de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) não IgE mediada, como a proctocolite alérgica. A conduta inicial é a dieta de exclusão.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. Ela pode se manifestar de diversas formas, sendo as reações não IgE mediadas, como a proctocolite alérgica, particularmente comuns em bebês jovens. A apresentação clínica típica envolve sangramento nas fezes (hematoquezia), diarreia e, por vezes, baixo ganho ponderal, sem outros sinais de infecção ou doença sistêmica. A fisiopatologia da APLV não IgE mediada envolve uma resposta inflamatória local no trato gastrointestinal, mediada por células T, em vez de anticorpos IgE. O diagnóstico é essencialmente clínico. Diante de um lactente com sangramento retal e bom estado geral, especialmente se há uso de fórmula láctea ou a mãe consome laticínios, a suspeita de APLV deve ser alta. Exames como IgE específica ou testes cutâneos são geralmente negativos e não auxiliam no diagnóstico das formas não IgE mediadas. O tratamento consiste na eliminação completa da proteína do leite de vaca da dieta. Se o bebê está em aleitamento materno exclusivo, a mãe deve seguir uma dieta de exclusão rigorosa. Se há complementação com fórmula, esta deve ser substituída por uma fórmula extensamente hidrolisada ou, em casos mais graves ou sem resposta, por uma fórmula de aminoácidos. A melhora dos sintomas em 2 a 4 semanas é esperada, e a confirmação diagnóstica é feita com o teste de provocação oral, geralmente após 6 semanas de exclusão e sob supervisão médica.
Os sintomas incluem sangramento nas fezes (hematoquezia), diarreia, baixo ganho ponderal, irritabilidade e, em casos mais graves, anemia. Vômitos e refluxo também podem ocorrer.
A conduta inicial é a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca da alimentação da mãe (se em aleitamento materno) e/ou a substituição da fórmula láctea por uma fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.
O diagnóstico é confirmado pela melhora dos sintomas com a dieta de exclusão e o reaparecimento dos sintomas após a reintrodução da proteína do leite de vaca (teste de provocação oral), sempre sob supervisão médica.
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