SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023
Lactente com 40 dias de vida vem para consulta ambulatorial de rotina. Os pais referem que há cerca de 5 dias a criança está mais chorosa, não se acalma ao ser colocada no peito e acham que ela pode estar com alguma dor. Ela apresenta crises de choro principalmente na madrugada e chora por cerca de 3 horas seguidas. Mantém hábito intestinal diário, com fezes amareladas, 5 vezes ao dia. Há 2 dias começou a apresentar sangramento em pequena quantidade nas fezes. Hábito urinário normal. Dorme na cama dos pais a noite toda e cochila durante o dia. Não apresentou febre, vômitos ou sintomas respiratórios. Apresenta algumas regurgitações após mamadas. Foi criança nascida a termo e está em aleitamento materno complementado com fórmula infantil de partida. No exame clínico, está em bom estado geral, corada, hidratada, ganhando em média 10 g/dia, sem alterações de sinais vitais. Exame abdominal normal e períneo sem lesões. Assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável e a respectiva conduta.
Lactente com choro, regurgitação e sangramento nas fezes + fórmula → APLV. Conduta: dieta exclusão materna + fórmula extensamente hidrolisada.
O sangramento nas fezes em lactentes, mesmo em pequena quantidade, associado a sintomas gastrointestinais como choro excessivo e regurgitações, especialmente em uso de fórmula, é um forte indicativo de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). A conduta inicial envolve a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta materna e, se necessário, o uso de fórmula extensamente hidrolisada.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, podendo manifestar-se com sintomas gastrointestinais, cutâneos ou respiratórios. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para o desenvolvimento e bem-estar da criança. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por IgE ou não-IgE. Os sintomas gastrointestinais, como choro excessivo, regurgitações e sangramento nas fezes (proctocolite alérgica), são frequentes e devem levantar a suspeita, especialmente em lactentes que recebem fórmula infantil ou cujas mães consomem laticínios. O diagnóstico é clínico, baseado na melhora dos sintomas com a dieta de exclusão e recorrência com a reintrodução. O tratamento consiste na exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta do lactente e da mãe, se em aleitamento materno. Em casos de uso de fórmula, deve-se optar por fórmulas extensamente hidrolisadas ou, em situações mais graves, fórmulas de aminoácidos. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças desenvolvendo tolerância até os 5 anos de idade, mas o acompanhamento nutricional é fundamental.
Os sintomas da APLV em lactentes são variados e podem incluir choro excessivo, irritabilidade, regurgitações frequentes, vômitos, diarreia, constipação, e sangramento nas fezes, que é um sinal de proctocolite alérgica.
A conduta inicial para suspeita de APLV em lactente amamentado é a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca pela mãe por 2 a 4 semanas. Se houver melhora, o diagnóstico é confirmado e a dieta deve ser mantida.
A fórmula extensamente hidrolisada é indicada para lactentes com APLV que não estão em aleitamento materno exclusivo ou cujas mães não conseguem manter a dieta de exclusão, ou em casos de APLV grave.
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