Diagnóstico de APLV: Quando Realizar o Teste de Provocação

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022

Enunciado

Menina, 2 meses de idade, nascida a termo com peso: 3.200g e comprimento: 49cm, usando apenas leite materno, sugando adequadamente, é levada à UBS com relato de cólicas e diarreia, além de regurgitações esparsas. Ao exame, peso: 4.000g; comprimento: 54cm. Está ativa, em bom estado geral, hidratada, eupneica, afebril, corada. Observam-se apenas manchas avermelhadas na pele, principalmente em face e dobras. A mãe informa que ficam mais claras após o banho.A conduta diagnóstica adequada, nessa situação, é:

Alternativas

  1. A) Solicitar manometria esofágica.
  2. B) Realizar teste de provocação oral.
  3. C) Solicitar RAST para leite de vaca.
  4. D) Solicitar endoscopia digestiva alta.

Pérola Clínica

Suspeita de APLV → Exclusão seguida de Teste de Provocação Oral (TPO).

Resumo-Chave

O diagnóstico de APLV em lactentes é clínico, baseado na melhora dos sintomas após dieta de exclusão e recidiva obrigatória após o teste de provocação oral (TPO).

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum na primeira infância, afetando entre 2% a 5% dos lactentes. O quadro clínico é variável, podendo envolver o trato gastrointestinal, a pele e o sistema respiratório. No caso apresentado, a criança apresenta sintomas sugestivos de proctocolite alérgica ou dermatite atópica associada, manifestando-se mesmo em aleitamento materno exclusivo. É fundamental diferenciar a APLV da intolerância à lactose, que é uma deficiência enzimática rara em lactentes e não envolve mecanismos imunológicos. O manejo diagnóstico preconizado pelas diretrizes brasileiras e internacionais envolve inicialmente a exclusão da proteína suspeita da dieta (da mãe, se em aleitamento materno, ou da criança, se em uso de fórmulas). Após a remissão dos sintomas, o Teste de Provocação Oral (TPO) deve ser realizado sob supervisão médica para confirmar o diagnóstico. Se o TPO for positivo, a dieta de exclusão deve ser mantida, e o teste deve ser repetido periodicamente (geralmente a cada 6-12 meses) para avaliar o desenvolvimento de tolerância, que ocorre na maioria das crianças até os 3 anos de idade.

Perguntas Frequentes

Um bebê em aleitamento materno exclusivo pode ter APLV?

Sim, é perfeitamente possível. As proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe podem ser transferidas para o lactente através do leite materno em quantidades suficientes para desencadear uma reação alérgica em crianças sensibilizadas. Nesses casos, a conduta inicial não é suspender o aleitamento materno, mas sim orientar a mãe a realizar uma dieta de exclusão rigorosa de leite de vaca e derivados. Se os sintomas do bebê melhorarem após 2 a 4 semanas de exclusão, a suspeita de APLV é fortalecida, devendo ser confirmada posteriormente pelo teste de provocação oral.

O que é o Teste de Provocação Oral (TPO) e por que ele é necessário?

O Teste de Provocação Oral (TPO) é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de APLV. Ele consiste na reintrodução gradual da proteína do leite de vaca após um período de dieta de exclusão com melhora clínica. O TPO é necessário porque muitos sintomas atribuídos à APLV (como cólicas, regurgitação e alterações leves nas fezes) são comuns e inespecíficos na infância. A confirmação diagnóstica só ocorre se os sintomas reaparecerem com a reintrodução da proteína, evitando restrições dietéticas desnecessárias e onerosas para a família e garantindo o manejo nutricional adequado.

Qual a diferença entre APLV IgE-mediada e não IgE-mediada?

A APLV IgE-mediada envolve a produção de anticorpos específicos e geralmente causa reações imediatas (até 2 horas após a ingestão), como urticária, angioedema e anafilaxia; nestes casos, exames como RAST ou Skin Prick Test são úteis. Já a APLV não IgE-mediada (como a proctocolite alérgica e a enteropatia induzida por proteína alimentar) é mediada por células e causa reações tardias, predominantemente gastrointestinais (sangue nas fezes, diarreia, vômitos). Nestas formas não IgE-mediadas, os testes laboratoriais de IgE são negativos, e o diagnóstico depende exclusivamente da clínica e do TPO.

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