HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019
Lactente de 11 meses apresenta história de sibilância grave e de difícil controle, desde seis meses de idade e que algumas vezes, mesmo sem febre, levou-o a ser internado, inclusive necessitando utilizar oxigênio. Refere ter sido amamentado ao seio materno exclusivo até os 4 meses de idade. Apresenta vômitos pós-mamadas e dificuldade para ganhar peso, além de dermatite atópica em dobras e face. Qual dos diagnósticos abaixo seria o mais provável?
Sibilância grave + vômitos + baixo peso + dermatite atópica em lactente → Suspeitar APLV e/ou asma.
A sibilância recorrente em lactentes, especialmente quando associada a sintomas gastrointestinais como vômitos e dificuldade de ganho ponderal, e manifestações cutâneas como dermatite atópica, deve levantar a suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), que pode mimetizar ou coexistir com asma.
A sibilância recorrente em lactentes é um desafio diagnóstico e terapêutico comum na pediatria, afetando uma parcela significativa de crianças nos primeiros anos de vida. Embora muitas vezes associada a infecções virais, a persistência e gravidade dos sintomas, especialmente quando acompanhadas de manifestações extrarrespiratórias, exigem uma investigação mais aprofundada. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma condição imunomediada que pode se manifestar com sintomas respiratórios, gastrointestinais e cutâneos, mimetizando ou exacerbando quadros de asma. A fisiopatologia da APLV envolve uma resposta imune adversa às proteínas do leite, que pode levar à inflamação em diversos órgãos. No trato respiratório, isso pode causar broncoespasmo e sibilância. O diagnóstico é clínico, baseado na história e na melhora dos sintomas com a dieta de exclusão, seguida por um teste de provocação oral. A asma em lactentes, por sua vez, é caracterizada por episódios de obstrução brônquica reversível, frequentemente desencadeados por infecções virais, mas também por alérgenos. A suspeita deve surgir em casos de sibilância grave, recorrente, que não responde bem ao tratamento padrão ou que se associa a outros sintomas atópicos. O tratamento da APLV envolve a exclusão completa das proteínas do leite da dieta do lactente e da mãe (se amamentado), com acompanhamento nutricional. Para a asma, o manejo inclui broncodilatadores e, em casos mais graves ou persistentes, corticosteroides inalatórios. É fundamental abordar ambas as condições, se presentes, para garantir o controle dos sintomas, o adequado desenvolvimento pondero-estatural e a melhoria da qualidade de vida do lactente.
Sinais de alerta incluem sibilância grave e recorrente, vômitos pós-mamadas, dificuldade de ganho de peso, e presença de dermatite atópica. A história de internações e necessidade de oxigênio reforça a gravidade.
A diferenciação é complexa, pois podem coexistir. A APLV geralmente apresenta sintomas gastrointestinais e cutâneos associados, enquanto a asma pode ter história familiar e gatilhos específicos. Um teste de exclusão/reintrodução para APLV pode ser útil.
A dificuldade de ganho de peso é um indicador crucial de que há um problema sistêmico, como má absorção ou aumento do gasto energético, que pode estar associado à APLV ou outras condições crônicas que afetam o estado nutricional.
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